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Leilão de energia vende contratos de 51 usinas de 2008 a 2010

O Globo, Economia, p. 41
17 de Dez de 2005

Leilão de energia vende contratos de 51 usinas de 2008 a 2010
Leilão de energia vende contratos de 51 usinas
Apesar disso, apenas 71% do volume total foram negociados

O leilão de energia nova realizado ontem pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) não conseguiu contratar uma pequena parcela de energia necessária para os anos de 2008 e 2009, apesar de ter sido considerado um sucesso pelo ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau. Além disso, do total de 51 usinas contratadas para o período de 2008 a 2010, cerca de 60% são de origem termelétrica.
O leilão, que durou dez horas, representou um volume total de energia de 3.286 megawatts médios. Esses empreendimentos já fecharam contratos de venda de energia com as empresas distribuidoras, representando um volume de negócios de R$68,4 bilhões.
Do total de 51 usinas, 21 são novas. Estas incluem as sete hidrelétricas ofertadas pelo governo, quatro usinas hidrelétricas que já tinham concessão mas não foram ainda construídas - as chamadas botox - seis térmicas e três usinas térmicas, também botox.
- O resultado foi muito bom, representou que, do volume total negociado, 71% foram fechados - disse Rondeau.
Para 2008, considerando o consumo de energia estimado pelas distribuidoras, faltou contratar cerca de 1,2%. Para 2009 resta contratar 4,5%. Já para 2010 a contratação chegou a 100%. O ministro disse que deverá ser feito um novo leilão para os anos de 2008 e 2009. No entanto, como o volume é pequeno, talvez sequer seja necessário.
- Para 2008 e 2009 está tecnicamente completada a energia prevista. Talvez o próprio mercado se ajuste.
Governo considera aumento de 5% ao ano no consumo
No leilão, os vencedores foram os que ofereceram as menores tarifas, cujas ofertas partiram do preço máximo de R$116 o megawatt-hora, fixado pelos organizadores do leilão. Para 2008 o preço médio das tarifas das usinas hidrelétricas ficou em R$106,95 o megawatt-hora. Para as térmicas, o preço médio ficou em R$132,26. Para 2009, o preço médio da tarifa hídrica ficou em R$113,89, e em R$129,26 para as térmicas. Segundo Rondeau, o fato de os preços terem ficado perto do máximo mostra que o valor fixado estava correto, apesar de alguns empresários terem se queixado de que o preço era baixo demais.
O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, um dos idealizadores do leilão, explicou que o volume de energia que o governo precisava contratar para o período 2008-2010 considera um crescimento no consumo de energia da ordem de 5% ao ano e uma expansão anual do PIB também de 5%.
O ministro só lamentou o fato de o governo não ter podido oferecer todas as 17 novas usinas hidrelétricas pretendidas, porque apenas sete tinham licença ambiental.
- A energia térmica é 15% mais cara que a hídrica. Se tivéssemos conseguido oferecer todas as 17 usinas, o consumidor seria mais beneficiado - disse Rondeau.
Participaram do leilão grupos privados, como Alusa e Neoenergia, e estatais, como Furnas, Eletrosul e Cemig.

O Globo, 17/12/2005, Economia, p. 41

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