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Índios receberão benefício

A Crítica-Manaus-AM
Autor: [ Ana Celia Ossame ]
14 de mar de 2002

Mais de 500 índios muras da aldeia do murutinga, localizada no Município de Autazes (a 118 quilômetros de Manaus), começaram a receber ontem um atendimento inédito. O barco Prevmóvel, do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ancorou no porto da comunidade para conceder os benefícios sociais como aposentadoria, licença-maternidade e auxílio doença, entre outros.
O atendimento vai durar dois dias e a previsão do INSS é conceder pelo menos 70 bnefícios nessa primeira fase, sendo a maioria licença-maternidade, disse o superintendente do órgão, Severino Cavalcante. Após 40 dias da inscrição, os índios deverão começar a receber os benefícios, equivalente a um salário mínimo. "Vou comprar um rancho para iniciar um comércio", disse Iranildes Souza Guimarães, 21.
Um dos convidados do INSS foi o arcebispo de Manaus, Dom Luiz Soares Vieira, que levou a mensagem da Campanha da Fraternidade, cujo tema deste ano é "Fraternidade e os Povos Indígenas". Dom Luiz definiu a ida do barco prestar o atendimento como um momento de dignidade ao povo mura que, a exemplo das demais etnias, sempre viveu à margem dos direitos sociais garantidos a todos os cidadãos brasileiros. "Eles não são diferentes", afirmou ele, que foi pela primeira vez em Autazes. O arcebispo lembrou que a campanha é voltada para a sociedade refletir sobre os índios e os males praticados contra eles até aqui.
O povo mura tem 41 aldeias em vários municípios como Autazes, Careiro da Várzea, Iranduba, Novo Aripuanã, Manicoré, Beruri e Borba. O povo perdeu as referências culturais como a língua - apenas dois idosos falam algumas palavras na língua geral - e as tradições, mas está no processo de resgate, disse o coordenador de educação indígena, Aldimar Pereira Rodrigues, 38.
A aldeia do murutinga tem 780 índios, segundo informou o tuxaua Raimundo Nonato Gomes da Silva, 38, que elogiou a iniciativa dizendo que a maioria dos que seriam beneficiados não tinha condições de ir a Manaus procurar o órgão. Raimundo lamentou a não demarcação ainda da terra, mas destacou as melhorias levadas pela parceria entre a Coordenadoria das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e a Fundação Nacional de Saúde (Funasa). "A saúde melhorou um pouco", disse ele, que espera pela perfuração de poços artesianos para que a população tenha acesso à água potável. "A água do rio está suja em virtude da grande quantidade de flutuantes que existem, por isso precisamos cuidar da água", justificou. Com luz elétrica, telefone e a perspectiva de água encanada, a aldeia vive um momento bom, disse o tuxaua.
Segundo o administrador regional da Fundação Nacional do Índio (Funai), Benedito Rangel, a população chega a 5 mil pessoas. O órgão apóia projetos na área de educação e saúde. Em Autazes são 23 áreas indígenas, informa o representante da Coiab, Leandro Cabral Braga, 26, ressaltando problemas de saúde como diarréia, malária e furúnculos. "Tem muita gente com furúnculo aqui na aldeia", disse Alfredo Nunes Mota, 73.

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