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26 de Abr de 2017
Índios entram em confronto com PM em manifestação em Brasília
Tropa de choque usa gás de pimenta e bombas de efeito moral
BRASÍLIA - O protesto de indígenas contrários a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215, que transfere do Executivo para o Legislativo a palavra final sobre a demarcação de terras indígenas, acabou em confronto com a Policia Militar do Distrito Federal na tarde desta quarta-feira. A violência começou porque os índios queriam colocar caixões no espelho d'água do Congresso, a PM usou gás de pimenta, bombas de efeito moral e balas de borracha para afastar os manifestantes. Segundo a PM, cerca de dois mil índios participam do ato.
Para revidar, os indígenas atiraram flechas contra os policiais. Quatro indígenas foram detidos. Ainda não há informações sobre feridos
- Eles só são nossos amigos na hora da política, na hora que querem votos. Fora isso, estão em guerra contra nós - declarou um dos líderes do movimento.
No início da manifestação, os índios chegaram a fechar a Esplanada, mas em seguida liberaram a via. O grupo se dispersou no gramado. A tropa de choque está em frente ao Congresso.
O major Luís Ramos, do Batalhão de Choque, mostrou dezenas de flechas recolhidas pela corporação.
- Nós só queremos que os índios mantenham uma distância segura, os policiais só estão aqui para assegurar o perímetro - afirmou o major.
O deputado Luiz Sérgio (PT-RJ) esteve no gramado em frente ao Congresso e criticou a atuação da PM.
- Esse tratamento é desproporcional, porque quando foi o impeachment ( da ex-presidente Dilma) teve toda uma estrutura. Parece que tem policial transtornado, que não está preparado para lidar com esse tipo de situação - afirmou o petista.
A 14ª edição do Acampamento Terra Livre reúne desde segunda-feira cerca de três mil índios de diferentes etnias e é considerada a "maior mobilização indígena dos últimos anos". Povos de todas as regiões do Brasil se reúnem para debater e pressionar as autoridades contra a violação dos direitos dos povos. Entre as principais pautas do movimento estão a retomada da demarcação das terras, fim da perseguição a líderes índios e mais investimentos em saúde e da educação nas regiões indígenas.
- Nossos territórios estão sendo ameaçados por grandes empreendimentos. Nossas crianças continuam morrendo por todo o país porque a saúde pública é caótica, conforme os não indígenas sabem. E não é por falta de dinheiro. Se os recursos existentes fossem aplicados, não haveria o caso nas cidades, nem tantas mortes nas comunidades indígenas- contou à Agência Brasil Nara Baré, uma das coordenadoras da da coordenação executiva da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib).
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