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Índios destroem canteiro de obras de hidrelétrica no MT

FSP, Brasil, p. A11
14 de out de 2008

Índios destroem canteiro de obras de hidrelétrica no MT
Usina integra complexo planejado por consórcio do qual faz parte empresa de Blairo
Dez hidrelétricas vão ser construídas no rio Juruena; indígenas dizem que obras deverão acarretar impactos, como menor oferta de peixe

Rodrigo Vargas
Da agência Folha, em Cuiabá

Cerca de 120 índios da etnia enawenê nawê invadiram e incendiaram na manhã de sábado o canteiro de obras da PCH (Pequena Central Hidrelétrica) Telegráfica, em Sapezal (MT).
Pelo menos 12 caminhões foram destruídos, além dos alojamentos e do escritório avançado da Juruena Participações Ltda. -consórcio de empresas que constrói a usina. Equipamentos de informática também foram saqueados, diz a empresa. Os índios abandonaram o local em seguida.
"Eles expulsaram os funcionários e depois colocaram fogo em tudo", disse o coordenador-técnico ambiental da empresa, Frederico Müller.
O administrador regional da Funai em Juína, Antônio Carlos de Aquino, chamou de "tragédia" a ação dos índios. "Foi algo totalmente inesperado."
A Telegráfica integra um complexo de dez usinas que será implantado ao longo de 110 km do rio Juruena, na região noroeste de Mato Grosso. A Juruena Participações responderá por outras quatro obras do conjunto (Rondon, Parecis, Sapezal e Cidezal), enquanto o restante ficará a cargo da Maggi Energia, empresa do grupo empresarial do governador Blairo Maggi (PR).
Os índios dizem que as obras vão causar impactos ambientais e reduzir a oferta de peixes. A Sema (Secretaria Estadual do Meio Ambiente), encarregada do licenciamento ambiental, diz que o impacto será pequeno. Segundo o secretário-adjunto do órgão, Salatiel Araújo, dependia apenas dos enawenê nawê a assinatura de um acordo de compensação financeira em relação aos impactos na região -R$ 6 milhões, para as cinco etnias afetadas.
Desde 2007, o Ministério Público Federal de Mato Grosso propôs duas ações civis pedindo a suspensão das obras por causa de seus impactos sócio-ambientais. Em abril, a Procuradoria obteve liminar no TRF (Tribunal Regional Federal), mas a ação foi cassada pelo STF (Supremo Tribunal Federal).
A Folha tentou contato com os índios, sem sucesso. Procurados, o grupo Maggi e a Juruena Participações não ligaram de volta para a reportagem.

FSP, 14/10/2008, Brasil, p. A11

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