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IE Madeira cobra 'dívida' por atraso em licenciamento

Valor Econômico, Empresas, p. B13
16 de Set de 2013

IE Madeira cobra 'dívida' por atraso em licenciamento
Consórcio dono do linhão de transmissão pede R$ 275 milhões

André Borges
De Brasília

O Consórcio Interligação Elétrica do Madeira (IE Madeira), responsável pela construção de uma das linhas de transmissão de energia que irão escoar a geração de usinas do rio Madeira, prepara um pleito milionário para entregar à diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O consórcio, formado pelas empresas Cteep (51%), Furnas (24,5%) e Chesf (24,5%), vai pedir o reequilíbrio financeiro de seu contrato, uma cobrança que poderá chegar a uma receita de aproximadamente R$ 275 milhões. Esse pedido está em elaboração pela diretoria do consórcio e deve ser encaminhado em breve para a agência reguladora.
A causa do prejuízo, segundo o IE Madeira, seria o atraso na liberação de licenciamento ambiental para execução da obra. Pelo contrato firmado em 2009, previa-se um prazo total de 12 meses para a obtenção da licença de instalação (LI), autorização que libera o início efetivo da obra. Ocorre que, segundo o consórcio, essa licença só foi liberada 27 meses depois, ou seja, com atraso total de 15 meses em relação ao cronograma originalmente previsto.
O contrato previa que o linhão ficasse pronto no prazo de 24 meses, sendo concluído em fevereiro de 2012. O cumprimento de condicionantes ambientais, no entanto, fez com que o processo de licenciamento só fosse finalizado em outubro de 2011. Dessa forma, alega o consórcio, o prazo para entrega da linha a ser considerado passa a ser outubro deste ano.
Gersino Saragosa Guerra, diretor administrativo e financeiro do IE Madeira, diz que conseguiu antecipar esse cronograma e que o linhão de 2.375 km de extensão ficou pronto e foi entregue ao governo no dia 1 de agosto. "Tanto que, desde então, já estamos sendo remunerados por isso", disse.
A receita anual consórcio, segundo o executivo, é de R$ 220 milhões, valor que é pago em parcelas mensais. Considerado o atraso de 15 meses reivindicado pelo consórcio - período em que a empresa deixou de ser remunerada -, chega-se ao valor de R$ 275 milhões. O reequilíbrio financeiro do contrato poderia se dar, por exemplo, por meio de uma prorrogação do tempo do contrato de concessão, que é de 30 anos. "Não se trata de uma crítica pura ao Ibama. A realidade é que todos os licenciamentos ambientais do país atrasam. O modelo é o que está errado. Talvez devêssemos fazer leilão de linha de transmissão já com licença prévia emitida", diz Guerra.
O linhão do Madeira faz parte do complexo hidrelétrico do rio Madeira. A rede de transmissão vai apoiar o escoamento de energia gerada pelas hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, ambas em fase de conclusão de obras em Porto Velho (RO). A linha vai adicionar uma capacidade de transmissão de aproximadamente 6,6 mil megawatts ao sistema interligado nacional.
Além da linha do IE Madeira, o projeto de transmissão envolve uma segunda rede de transmissão, que está sendo construída pelo consórcio Norte Brasil Transmissora, grupo que pertence às empresas Abengoa, Eletronorte e Eletrosul. Os dois consórcios também são responsáveis por entregar as subestações de conversão de energia que entrarão em operação em Porto Velho e Araraquara (SP), destino final da malha.
Apesar de o consórcio IE Madeira ter entregado seu empreendimento em agosto, a rede ainda não está em funcionamento efetivo por conta de procedimentos técnicos e testes que devem ser feitos pelo Operador Nacional do Sistema (ONS). O projeto tocado pelo consórcio consumiu investimento total de R$ 3,4 bilhões.
Problemas com atrasos de obras também podem ter consequências graves no retorno financeiro da hidrelétrica de Jirau. Neste caso, porém, as implicações estão mais relacionadas à sequência de paralisações e greves que comprometeram o andamento das obras da usina.
Reportagem do Valor publicada na semana passada revelou que o consórcio Energia Sustentável do Brasil (ESBR), responsável pela construção e operação de Jirau, está pressionado a ter de pagar uma conta extra que pode superar R$ 400 milhões, pelo fato de descumprir a entrega do volume de energia que estava previsto para ser fornecido a partir deste mês. Jirau recebeu autorização da Aneel para ligar a sua primeira turbina de 75 megawatts (MW), de um total de 50 unidades geradoras que entrarão em operação. Pelo contrato, no entanto, a usina deveria acionar um total de 16 turbinas em setembro. No balanço feito pelo consórcio, as paralisações decorrentes de greves e atos de vandalismo ocorridos em 2011 e 2012 resultaram em 25 meses de paralisação total ou parcial nas obras da margem direita do empreendimento; e mais 18 meses na margem esquerda da obra. A Aneel avalia um pedido do ESBR, para que o prazo de operação de suas turbinas seja revisado.

Valor Econômico, 16/09/2013, Empresas, p. B13

http://www.valor.com.br/empresas/3270644/ie-madeira-cobra-divida-por-at…

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