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Ibama aponta incoerências em obra na Bahia

OESP, Vida, p. A20
31 de Mar de 2012

Ibama aponta incoerências em obra na Bahia
Outros locais para instalação de complexo portuário em Ilhéus (BA) teriam sido descartados precipitadamente

KARINA NINNI

O governo da Bahia e a Bahia Mineração (Bamin) devem entregar na próxima semana uma versão mais detalhada do EIA-Rima (estudo de impacto ambiental) do Complexo Porto Sul, empreendimento portuário em Aritaguá, região de Ilhéus, que depende de licenciamento do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para sair do papel.
O detalhamento do estudo é uma resposta à análise do EIA-Rima feita pelo Ibama e divulgada no início do mês passado. Com 163 páginas, o documento aponta inúmeras inconsistências do estudo e sugere que os empreendedores descartaram a colocação do porto no Distrito Industrial de Ilhéus sem avaliar a possibilidade de forma correta. "Os argumentos para descartar o Distrito Industrial como alternativa não foram tecnicamente convincentes, uma vez que tais justificativas poderiam ser aplicadas à área de Aritaguá também", diz o documento do Ibama.
Originalmente, a área pensada para a colocação do porto era a Ponta da Tulha, alguns quilômetros acima, descartada pelo Ibama após os primeiros estudos ambientais, por conta dos impactos à única formação de recifes de corais do Atlântico Sul.
"O fato de terem descido alguns quilômetros em direção ao sul significa uma visão logística ainda muito estreita", diagnostica o professor de logística da Escola Politécnica da USP, Hugo Yoshizaki. Para ele, é evidente que o País necessita de infraestrutura, mas "é preciso ter uma visão mais sistêmica." Além do terminal portuário, o projeto prevê uma ferrovia que conectará áreas de extração de minério de ferro ao porto de escoamento.
Ambientalistas ainda protestam contra a insistência na região de Ilhéus e argumentam em favor de áreas já impactadas, como o Distrito Industrial e o porto de Aratu, em Candeias.
"Já existe uma ferrovia ali e a área está ocupada por um empreendimento semelhante. Seria a opção mais inteligente", afirma a coordenadora da campanha de oceanos do Greenpeace, Leandra Gonçalves.
O coordenador executivo da Casa Civil da Bahia, Eracy Lafuente Pereira, diz que instalar o porto em Aratu encareceria o projeto. "Sairia, por baixo, R$ 1 bilhão a mais." Segundo ele, a Ferrovia Centro Atlântica não tem capacidade para transportar a carga prevista para embarcar pelo novo porto - 100 milhões de toneladas/ano dentro de 25 anos.
Dúvidas. Para o ex-deputado federal Fábio Feldman, que é contra o uso da área como zona portuária, a análise do Ibama coloca em dúvida a viabilidade do empreendimento. "Há muita preocupação com os processos de erosão das praias do norte, com excesso de sedimentação e circulação de grandes navios na área."
Lafuente discorda. "Não há uma só linha no documento do Ibama que conteste a viabilidade do projeto. "Mas temos de ser mais detalhistas quanto ao descarte da área do Distrito Industrial. Há ali um parque municipal e mananciais que abastecem Ilhéus com água." Procurada, a Bamin não retornou.

Ferrovia é prioridade

O Complexo Porto Sul compreende dois empreendimentos: um terminal de uso privativo para escoamento de minério de ferro, sob responsabilidade da Bahia Mineração (Bamin), e um terminal portuário público sob responsabilidade do governo da Bahia. O porto será o ponto final da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), obra do governo federal que já tem licença para ser iniciada, e ligará a cidade de Figueirópolis, no Tocantins, a Ilhéus, na Bahia. Incluída entre as prioridades do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a Fiol terá 1.527 km de extensão. Desde 2008, o governo do Estado da Bahia tenta licenciar o empreendimento. / K.N.

OESP, 31/03/2012, Vida, p. A20

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