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Greenpeace não vai à audiência no Pará e alega falta de segurança

O Globo, Economia, p. 28
02 de Jul de 2009

Greenpeace não vai à audiência no Pará e alega falta de segurança
Encontro reunirá representantes de frigoríficos e Ministério Público

Liana Melo

O governo do Pará negou o pedido de garantia de segurança feito pelo Greenpeace, que participaria de audiência pública com pecuaristas hoje à tarde, na Assembleia Legislativa do estado, em Belém. Com a recusa, a ONG não estará no encontro, que vai discutir as acusações do Ministério Público Federal (MPF) no Pará contra 21 fazendas e frigoríficos que compram carne oriunda de áreas desmatadas na Amazônia. O Pará virou, desde o começo de junho, o epicentro de uma crise deflagrada com a divulgação, pela ONG, do relatório "A Farra do Boi na Amazônia". O documento serviu de base para as acusações do MPF.
O gabinete da governadora Ana Júlia (PT) informou que a segurança só poderia ser garantida fora da Assembleia. Dentro do prédio, é obrigação da Casa. A oferta não satisfez o Greenpeace.

Pecuaristas prometem pressão contra MPF
Assim como o Greenpeace, o MPF também solicitou segurança à Polícia Federal (PF). A escolta foi concedida e cinco policiais federais serão deslocados para proteger os procuradores Felício Pontes e Augusto Potiguar, que, por serem autores da ação contra o setor, foram convocados a participar da audiência. Além dos procuradores, o senador Válter Pereira (PMDB-MS), presidente da Comissão de Agricultura do Senado, também solicitou escolta da PF, que, no entanto, foi negada.
Os pecuaristas do estado prometem cercar a Assembleia Legislativa hoje para protestar contra as acusações. Ontem, os deputados da Frente Parlamentar da Agropecuária saíram em defesa dos pecuaristas e criticaram duramente a ação do MPF, na audiência pública na Comissão de Meio Ambiente da Câmara, em Brasília. Depois de seis horas de reunião, os deputados pediram a suspensão por 90 dias das autuações a frigoríficos e supermercados.
- Fomos incentivados a ocupar o Brasil, a defender nossas fronteiras e hoje somos criminalizados. O que o governo vai fazer com os 25 milhões de brasileiros que vivem e trabalham na Amazônia? Quem pagará esses prejuízos se deixarmos de produzir? - criticou o deputado Moreira Mendes (PPS-TO), expressando a revolta do setor contra a decisão do MPF de exigir o cadastro do rebanho no Serviço Brasileiro de Rastreabilidade da Cadeia Produtiva de Bovinos e Bubalinos (Sisbov).
O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, anunciou ontem, em audiência pública em Brasília, que o rastreamento eletrônico do rebanho bovino do Pará começará em dezembro.Na primeira fase, a cobertura será de 150 mil quilômetros quadrados no Pará. Ele acrescentou que a nova forma de monitoramento vem sendo feita com o governo estadual, com frigoríficos e pecuaristas.
Dados do MPF também apresentados na audiência pública, dão conta do tamanho da ilegalidade na produção agropecuária no Pará: das 220 mil propriedades rurais, apenas 69 têm licença ambiental.

O Globo, 02/07/2009, Economia, p. 28

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