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Governo usa PF em resposta a CPI

FSP, Brasil, p.A6
03 de jun de 2005

Governo usa PF em resposta à CPI
Luciana Constantino
O anúncio da Operação Curupira, feito ontem em Brasília pelos ministros Márcio Thomaz Bastos (Justiça) e Marina Silva (Meio Ambiente), se converteu num ato em que o governo tentou dar uma resposta à CPI dos Correios ao dizer que nunca o combate à corrupção foi tão intenso como hoje.
Os ministros e o diretor da Polícia Federal, Paulo Lacerda, reiteraram várias vezes que o governo não deixa de investigar denúncias, independentemente dos envolvidos. Mesmo sem citar a CPI, Thomaz Bastos disse nove vezes, numa fala de 15 minutos, que o governo combate a corrupção: "Estamos trabalhando fortemente, como nunca se trabalhou no Brasil, no combate à corrupção".
"Nestes dois anos e meio de trabalho no nosso governo já mostramos satisfatoriamente que a bandeira do combate à corrupção está em nossas mãos". Questionado sobre a CPI, Thomaz Bastos disse que o assunto é uma "questão de soberania do Congresso".
"Esperamos que, se for criada [a CPI], não se desvie da finalidade, não se torne política. O governo do presidente Lula não tolera a corrupção", disse Thomaz Bastos.
Já a ministra Marina Silva disse que a operação da PF "cortou a própria carne, a todo o risco, sem medo da investigação". "Não estamos acuados. Pelo contrário, estamos na ofensiva. Ninguém está sendo surpreendido", disse.
A Operação Curupira foi desencadeada para prender acusados de integrar uma quadrilha de exploração ilegal de madeira, inclusive funcionários do Ibama, órgão do Ministério do Meio Ambiente, e empresários. Um dos diretores do órgão em Brasília, Antônio Carlos Hummel, teve mandado de prisão expedido pela Justiça e se entregou ontem à noite. Pelo menos oito funcionários comissionados foram exonerados.
Chamando o anúncio da Operação Curupira de "grande vitória", Thomaz Bastos aproveitou para fazer elogios ao trabalho da PF, do Ministério Público, da Controladoria Geral da União e do procurador-geral da República, Claudio Fonteles -representado no evento pelo vice-procurador Antonio Fernando Barros e Silva de Souza: "Esse é um momento efetivo de celebração".
"Perguntem ao dr. Claudio ou ao seu substituto se alguma vez o ministro da Justiça ou o presidente da República ligou pedindo para engavetar um processo ou não investigar alguma coisa, mesmo que fosse do governo federal." Fez elogios ao diretor da PF: "A Polícia Federal sob a liderança das mãos fortes do dr. Paulo Lacerda mudou da água para o vinho. Eu não conseguiria, por melhor memória que tivesse, enumerar todas as operações que a PF fez contra a corrupção no Brasil", disse.
Neste ano, foram feitas 17 operações envolvendo vários Estados, além de outras 58 feitas entre o segundo semestre de 2003 e o ano passado. Resultaram na prisão de 349 funcionários públicos. Segundo o diretor da PF, essas operações têm sido feitas com inteligência: "Temos tido a paciência necessária para investigar. Deixar quem está roubando continuar a roubar. É possível que tenha gente que antes de 2003 tivesse cometendo ilicitudes e nós entendemos que devia deixar assim, à medida que precisávamos reunir elementos de prova... Essa é a nova estratégia que temos adotado em todas essas operações".
FSP, 03/06/2005, p. A6

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