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Governo quer participação na produção de minérios

OESP, Economia, p. B3
09 de Jan de 2010

Governo quer participação na produção de minérios
Medida faz parte de pacote que está sendo preparado para o setor e que também inclui aumento dos royalties e uma nova taxa no início da lavra

Leonardo Goy

O governo quer passar a cobrar participação sobre a produção das mineradoras, além de aumentar os royalties do setor. No pacote de novas regras que estão sendo preparadas para a produção mineral, está em estudo ainda a criação de uma nova taxa, a ser cobrada no início da produção de cada jazida.

Em entrevista à Agência Estado, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, reconheceu, ao revelar essas propostas, que com isso a carga tributária total do setor mineral vai aumentar, mas, segundo ele, não vai superar a de outros países produtores de minérios. "A taxa (a ser cobrada no início da lavra) ainda está sendo examinada. A empresa vai pagar uma taxa inicial para começar a lavra e passará a pagar uma participação quando estiver lavrando. Uma participação para o governo, além dos royalties." Sem dar mais detalhes, ele adiantou que essa participação se daria como um porcentual da produção.

Segundo Lobão, os royalties cobrados hoje no País, de 2%, são "insignificantes". "Há alguns países que cobram 8%, até 10%, mas, por outro lado, não cobram determinados tributos. Por isso, estamos vendo com a Fazenda para ter um certo equilíbrio entre uma coisa e outra", disse o ministro.

As mudanças estão sendo preparadas pelo governo como parte do novo Código Brasileiro de Mineração. Serão definidos dois projetos de lei. O primeiro deles vai definir o código. O segundo tratará apenas das regras para a cobrança dos royalties para a mineração.

O governo estuda também reduzir os prazos para pesquisa e para o início da produção. Além disso, a emissão de novos alvarás ficará mais rigorosa. "Os prazos para pesquisa e lavra são hoje muito frouxos. São sete anos para fazer pesquisa e não há prazo para fazer a lavra. Colocaremos três anos para fazer pesquisa e mais três para começar a fazer a lavra."

O Ministério de Minas e Energia também estuda, segundo Lobão, a possibilidade de liberar, no futuro, a entrada da iniciativa privada na produção de urânio e na geração de energia nuclear, atividades hoje sob monopólio estatal. O tema, porém, será tratado separadamente do código mineral.

Em parceria com a Agricultura, o ministério estuda conceder incentivos ficais para novas fábricas de fertilizantes, de modo a garantir ao Brasil, futuramente, autossuficiência do produto.

OESP, 09/01/2010, Economia, p. B3

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