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Governo já tem data para tirar Angra 3 do papel: 1º de setembro

OESP, Economia, p. B1
08 de Jul de 2008

Governo já tem data para tirar Angra 3 do papel: 1o de setembro
Anúncio do início das obras, feito pelo ministro Lobão, só precisa da licença do Ibama, que deve sair em até 15 dias

Leonardo Goy

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está muito próximo de tirar do papel a retomada do programa nuclear brasileiro. O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, deu ontem uma data para o início das obras da usina nuclear de Angra 3, no Rio de Janeiro: 1o de setembro. Segundo o ministro, essa, pelo menos, é a intenção do governo.

A última etapa que ainda precisa ser cumprida antes de os tratores serem levados ao canteiro de obra é a emissão, pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), da licença de instalação da usina. Lobão disse que o documento deve ser liberado pelo órgão ambiental em um prazo de 10 a 15 dias. A previsão foi confirmada ao Estado por técnicos do Ibama.

A retomada das obras de Angra 3 é uma vitória política da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, do ministro Lobão e do ministro de Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende.

Os principais opositores ao projeto da usina estão na área ambiental do governo. A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva era a principal crítica, dentro da equipe ministerial, à idéia de retomar investimentos nessa fonte de energia.

O governo debateu por anos se deveria ou não reiniciar as obras de Angra 3. Por fim, em junho do ano passado, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), órgão interministerial de aconselhamento da Presidência da República, decidiu autorizar a Eletronuclear, estatal responsável pela gestão da energia nuclear no País, a construir a terceira usina em Angra dos Reis.

Pelos planos que o governo vem anunciando recentemente, Angra 3 deverá ser apenas a primeira de uma série de novas usinas nucleares que deverão ser construídas no Brasil.

Lobão reiterou ontem que o governo pretende construir, logo depois de Angra 3, mais quatro usinas nucleares, ainda sem locais definidos. Segundo o ministro, o governo iniciaria, em seguida, um ciclo de investimentos que contemplará a entrada em operação de uma usina nuclear por ano, até que o Brasil tenha, em um prazo de 50 anos, um parque nuclear capaz de gerar 60 mil megawatts (MW).

"A energia nuclear é limpa e está sendo contemplada no mundo inteiro. A França, por exemplo, produz 70% de toda a sua energia em usinas nucleares", disse Lobão.

Atualmente, as duas usinas nucleares que estão em operação em Angra dos Reis têm capacidade para gerar cerca de 2 mil MW. Quando estiver pronta, Angra 3 terá potência instalada de 1.350 MW.

O governo estima que a construção da terceira central nuclear do País vai demandar investimentos de cerca de R$ 7,3 bilhões. De acordo com as previsões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a usina deverá entrar em funcionamento em 2014.

Comitê é aposta em programa de energia nuclear
Leonardo Goy
O governo aposta na energia nuclear para garantir o fornecimento de energia no futuro, principalmente quando as chuvas não forem capazes de encher os reservatórios das hidrelétricas. Prova disso é a criação, na semana passada, do Comitê de Desenvolvimento do Programa Nuclear Brasileiro. O grupo será coordenado pela Casa Civil e seu objetivo é traçar metas para o programa nuclear do País.

Um dos pontos a serem analisados por esse comitê é a localização das próximas centrais. Já é quase consensual que o Nordeste - onde, hoje, o Rio São Francisco já não oferece alternativas de geração hidrelétrica - deverá abrigar pelo menos mais uma usina.

A defesa da geração de energia em usinas nucleares vem crescendo no governo por diversos fatores. Um deles é econômico, já que a alta do preço do petróleo encarece a produção de energia em outros tipos de termoelétricas (como as movidas a óleo ou gás). Outro, é a segurança do abastecimento. Como o Brasil tem boas reservas de urânio, o combustível para essas novas centrais estaria garantido.

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, quer, inclusive, abrir o mercado de geração de energia nuclear a empresas privadas, para estimular mais investimentos.

OESP, 08/07/2008, Economia, p. B1

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