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Governo anuncia hoje propostas para marco regulatório da mineração

OESP, Economia, p. B6
09 de Mar de 2010

Governo anuncia hoje propostas para marco regulatório da mineração

Leonardo Goy

As propostas para o novo marco regulatório da mineração, que o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, anunciará hoje, às 15 horas, deverão incluir mudanças bem menos drásticas e polêmicas do que as que vinham sendo comentadas nos últimos meses pelo próprio ministro.

Segundo uma fonte do governo, o modelo a ser apresentado nesta terça-feira não deverá trazer, por exemplo, a criação de uma nova estatal para atuar na produção de fertilizantes, tampouco o aumento dos royalties cobrados do setor mineral.

Ao longo dos últimos meses, em mais de uma ocasião Lobão acenou com mudanças nos royalties, que poderiam ser compensadas com a redução de outros impostos. Mas, segundo duas fontes, uma do governo e outra da iniciativa privada, os Ministérios de Minas e Energia e da Fazenda não chegaram a um consenso e é por isso que nenhuma medida que onere ou desonere o setor deverá ser anunciada hoje.

Em entrevista recente à Agência Estado, Lobão chegou a dizer que seria criada uma taxa para iniciar a produção de cada jazida e também uma participação a ser paga ao governo. A fonte governamental, entretanto, disse que esses temas não devem estar no pacote a ser divulgado.

A estatal também deve ficar de fora. O próprio Lobão já havia anteriormente confirmado que havia estudos para a criação de uma empresa que atuaria no setor de fertilizantes. A nova empresa era um pleito do ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, mas a medida foi amplamente criticada pela iniciativa privada e pela oposição.

A avaliação feita por técnicos do Ministério de Minas e Energia é que a maior parte das reservas de matérias-primas de fertilizantes já foi concedida para outras empresas, incluindo a Petrobrás e, por isso, não haveria jazidas suficientes para alimentar uma nova companhia.

MAIS RIGOR

O que Lobão deve anunciar hoje são medidas para aumentar o rigor da concessão de lavras. O governo quer evitar a especulação do setor. Uma expressão recorrente usada por técnicos do governo é que há investidores que "sentam em cima" da concessão, esperando que ela valorize para revendê-la, sem produzir. Para evitar isso, o novo marco deverá, por exemplo, proibir a concessão de jazidas a pessoas físicas.

Além disso, será estabelecido um prazo de 35 anos para a exploração das novas reservas. Hoje, não há um limite fixado para a exploração, o que permite a especulação.

Já no caso da pesquisa, o prazo vai passar de três para cinco anos, com a diferença de que doravante serão limitados os casos em que o prazo poderá ser prorrogado.

Para regular o setor, o governo vai extinguir o atual Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), responsável pela entrega das autorizações, e substituí-lo pela Agência Nacional de Mineração, que deverá usar a sigla ANM.

O quadro funcional do DNPM será transferido para a nova agência, num processo semelhante ao que levou à transformação do extinto Departamento de Aviação Civil (DAC) na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

OESP, 09/03/2010, Economia, p. B6

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