OESP, Nacional, p. A16
Autor: FELDMANN, Fábio; ASTRINI, Márcio
17 de Mai de 2008
Especialistas cobram avanço da agenda ambiental
Debate
Fábio Feldmann: ambientalista
Márcio Astrini: coordenador do Greenpeace
Roberto Almeida
A chegada de Carlos Minc ao Ministério do Meio Ambiente deixa uma série de dúvidas quanto ao desenrolar da política ambiental brasileira. Para debater o futuro da agenda verde, a TV Estadão recebeu ontem o ex-deputado federal e ambientalista Fábio Feldmann e o coordenador de campanhas do Greenpeace, Márcio Astrini. A seguir, as principais colocações.
Saída da ministra
Feldmann: Ela, desde o primeiro mandato, tem enfrentado dificuldades. De fato, ela não quis mais participar de um governo que não demonstra preocupação com o meio ambiente.
Astrini: Ela não abandonou a pasta, a ministra é que foi abandonada no governo. Sua saída foi uma agonia que chegou ao fim com a transferência do Plano Amazônia Sustentável (PAS) para outra pasta.
Agenda de Minc
Feldmann: Minc tem pela frente um Brasil mal preparado para melhorar o licenciamento ambiental. Não tem gente nem recursos. Mas, se houver fortalecimento institucional, pode se tornar boa política ambiental.
Astrini: Em cima da mesa estão os mesmos problemas que levaram Marina a sair. Quando Lula diz que muda ministro, mas não muda política ambiental, resta saber que política é essa.
Credibilidade de Minc
Feldmann: Pelo que eu o conheço, ele usará a saída da ministra a seu favor para conversar com Lula. É preciso falar de uma agenda mínima. E, se ele não encontrar condições, não vai permanecer no cargo.
Astrini: Um dado muito ruim que ele já deve ter de responder é o aumento do desmatamento. Além disso, terá de encarar processo de recuperação da imagem do ministério.
Críticas e soluções
Feldmann: O Brasil precisa inovar na agenda ambiental. Por que não incluir na reforma tributária instrumentos que permitam que produtos ou serviços com menos impacto ambiental tenham carga reduzida? O Minc tem de ampliar essa agenda.
Astrini: Tivemos, sim, muitas derrotas, como a liberação do plantio de transgênicos e a liberação de concessões como a de Angra 3. Agora é olhar para o futuro. O País precisa explorar melhor a Amazônia sem a visão da década 70, que dizia que a floresta em pé atravanca o avanço econômico.
OESP, 17/05/2008, Nacional, p. A16
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