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Esforço contra racionamento

JB, Economia, p. A18
17 de Nov de 2005

Esforço contra racionamento
Eletrobrás negocia com iniciativa privada para garantir novas usinas até 2009

RICARDO REGO MONTEIRO

Furnas Centrais Elétricas concluiu na última sexta-feira os entendimentos para adquirir a fatia da Companhia Vale do Rio Doce no projeto da usina hidrelétrica de Foz do Chapecó, em Santa Catarina, que terá capacidade instalada para gerar 855 megawatts (MW). O negócio, cujos valores ainda não estão definidos, ocorre às vésperas do leilão de novos empreendimentos energéticos, previsto para 16 de dezembro. O acordo faz parte de uma série de iniciativas do grupo Eletrobrás para tentar compensar a ausência de quatro usinas hidrelétricas excluídas da disputa por falta de licença ambiental.
O presidente da Eletrobrás, Aloisio Vasconcelos, confirmou que, na sexta-feira, foi acertado o compromisso de compra da fatia da Vale na hidrelétrica. Representantes dos dois grupos definiram um prazo, não revelado pelo executivo, para acerto do valor envolvido no negócio.
O interesse da Eletrobrás grupo em Foz do Chapecó não se limita ao negócio firmado por Furnas. A Eletrosul também já iniciou na semana passada os entendimentos com a CEEE, do Rio Grande do Sul, para aquisição de uma fatia de 20% nesse mesmo projeto. O executivo afirmou que o desfecho deverá resultar na volta da Eletrosul ao segmento de geração, do qual se encontrava afastado desde o fim da década de 90, quando ocorreu a privatização da Gerasul.
A Eletrobrás, segundo Vasconcelos, quer concluir essa parte da negociação nos próximos dias. A intenção é dividir de forma igualitária os 60% das empresas do grupo no projeto, o que deixará Furnas e Eletrosul com 30% do empreendimento cada uma. Os outros 40% pertencem à CPFL, que não pretende se desfazer da fatia.
- Se tudo der certo, nosso objetivo é começar a construir a usina em março de 2006 e colocá-la em operação no mais tardar no segundo semestre de 2009. Essa é a grande mudança de nossa administração. Transformar a Eletrobrás de espectadora para operadora - afirma o presidente da Eletrobrás, ao também revelar que o grupo iniciou há 15 dias os entendimentos para a aquisição de uma fatia de 49% dos sócios privados no projeto da usina hidrelétrica de Serra do Facão, no Estado de Goiás.
Além do grupo Votorantim, este projeto também conta com a participação da Alcoa Alumínio, do Departamento de Minas e Energia (DME) e da construtora Camargo Corrêa. O empreendimento, cuja construção já foi iniciada, demanda investimentos de R$ 810 milhões e deverá resultar em uma potência instalada de 210 MW. A expectativa de Vasconcelos é de que a usina comece a operar antes de 2008, mais especificamente em 32 meses.
Os dois negócios resultam, na prática, de um esforço do governo, por intermédio da Eletrobrás, para viabilizar a oferta de energia necessária para evitar um novo racionamento energético no período 2009/2010. A aquisição de Foz do Chapecó ocorre às vésperas do leilão de novos empreendimentos hidrelétricos, que vão gerar o que tecnicamente vem sendo denominado de energia nova.
Com relação ao leilão, o presidente da Eletrobrás confirmou que aguarda apenas a licença do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para tentar arrematar a concessão da usina de Ipueiras, em Tocantins. Segundo Vasconcelos, já há um acordo costurado por Furnas com a Energias do Brasil - braço brasileiro da Electricidade de Portugal (EDP) - para disputar essa usina no leilão.
Nas ''próximas horas'', segundo ele, o Ibama deverá liberar a licença de mais três hidrelétricas que poderão, dessa forma, ser incluídas no leilão: Barra do Pomba (RJ), Cambuci (RJ) e Mauá (PR). Com isso, faltará liberar apenas as licenças de Ipueiras, com capacidade para gerar 500 MW; Dardanelos (MT), de 261 MW; Paulistas (GO), de 54 MW; e Salto Grande (PR), de 54 MW. Até agora, apenas seis usinas estão licenciadas: Baguari, Retiro Baixo, Passo do São João, São José e Foz do Rio Claro.

JB, 17/11/2005, Economia, p. A18

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