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Esforço conjunto para salvar Paraíba

JB, Cidade, p. A16
21 de jun de 2005

Esforço conjunto para salvar Paraíba
Governos de três estados fazem parceria para acabar com problemas de rio que abastece 8 milhões de pessoas

A discussão realizada na tarde de ontem sobre o futuro da bacia do Rio Paraíba do Sul não foi apenas uma conversa sobre poluição das águas fluviais. O que estava em jogo, entre outras coisas, era a saúde e o bem estar de cerca de 8 milhões de pessoas da região metropolitana do Rio de Janeiro que têm suas casas abastecidas pelas águas deste rio. O encontro, realizado no hotel Excelsior, em Copacabana, que definiu ações de despoluição para a bacia do Rio Paraíba do Sul, reuniu representantes do governo federal e dos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo.
A bacia é responsável por cerca de 80% do suprimento de água da área metropolitana fluminense e por 20% de sua produção de energia hidrelétrica. Além disso, o Paraíba do Sul é o principal fornecedor hidráulico dos dois maiores parques industriais do país, localizados nos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo.

Na discussão de ontem estavam presentes o presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), José Machado, os secretários do meio ambiente do Rio de Janeiro, o vice-governador Luiz Paulo Conde, e de Minas Gerais, José Carlos Carvalho, e o secretário de recursos hídricos do estado de São Paulo, Mauro Arce. Foi a primeira vez que representantes dos três estados que compõe a bacia do Rio Paraíba do Sul se reuniram para encontrar soluções conjuntas para o problema da poluição na bacia do Paraíba do Sul.

- Ao reunirmos representantes de três estados com o governo federal conseguimos um marco na gestão de bacias. Foi um passo gigantesco e um desafio fantástico - disse José Machado.

Entre o conjunto de ações prioritárias anunciado na tarde de ontem estão a constituição de uma Comissão de Coordenação e Acompanhamento (CCA), que será criada até julho desse ano, para implementar um novo cronograma de ações na bacia do rio; a articulação junto ao Conselho Estadual de Recursos Hídricos (CERH) de São Paulo e de Minas Gerais para a aprovação da metodologia de cobrança do uso da água pelo Comitê de Integração de Bacias do Vale do Rio Paraíba do Sul (Ceivap) até o final do ano; e o início da cobrança do uso da água em Minas Gerais e São Paulo até março de 2006.

- Foi o primeiro e o mais importante passo. Começou-se um processo de integração. Provavelmente essa seja a única forma de conseguirmos salvar o Paraíba do Sul - acredita Vera Lúcia Teixeira, vice-presidente do Ceivap e secretária institucional da ONG Nosso Vale Nossa Vida.

José Carlos Carvalho lembrou que a região do Paraíba concentra cerca de dois terços do PIB nacional, mas só 10% do esgoto despejado em suas águas é tratado. Estudos feitos pela ANA informam que O Paraíba necessita de investimentos anuais de cerca de R$ 150 milhões, durante 20 anos, para melhorar suas condições.

O Rio Paraíba do Sul chega ao estado do Rio com um alto índice de poluição. Já no estado de São Paulo são detectados em suas águas forte concentração de metais pesados, como mercúrio, chumbo e cromo. Mas são nas águas fluminenses, mas especificamente na parte conhecida como Médio Paraíba, que a situação se torna mais crítica. O maior índice de poluição é encontrado na região de Volta Redonda, onde fica a Companhia Siderúrgica Nacional.

Com 1.120 quilômetros de extensão, o Rio Paraíba do Sul nasce na Serra da Bocaina, em São Paulo, a 1.800 metros de altitude, percorre o sudeste de Minas Gerais e deságua no Oceano Atlântico no município de São João da Barra, no Norte Fluminense.

JB, 21/06/2005, Cidade, p.A16

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