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Empresa de ex-presidente da Vale não tem interesse em levar MMX

O Globo, Economia, p.20
01 de Jul de 2013

Empresa de ex-presidente da Vale não tem interesse em levar MMX

Mineradora de Eike enfrenta dificuldade para obter licença ambiental

Danielle Nogueira
Danielle.nogueira@oglobo.com.br

A busca por sócios ou compradores para a MMX, braço de mineração do grupo EBX, de Eike Batista, tem sido tão árdua que nem a B&A, mineradora que o BTG Pactual criou com Roger Agnelli, ex-presidente da Vale, tem interesse na empresa. O BTG foi contratado pela EBX, em março, para auxiliar o grupo na reestruturação de seus negócios. Uma das principais razões pelo desinteresse é a dificuldade que a MMX tem enfrentado para obter licença ambiental para sua barragem de rejeitos em Serra Azul (MG), onde fica sua principal mina. Sem ela, a MMX não consegue viabilizar sua expansão.
No plano de negócios da MMX, hoje em revisão, a capacidade da mina de Serra Azul alcançaria 29 milhões de toneladas de minério de ferro por ano em 2014. Hoje, a capacidade é de 8,7 milhões de toneladas anuais. Uma das possibilidades em estudo nos últimos dias era que a B&A comprasse uma mineradora em Serra Azul, a Minerita, para aproveitar a barragem de rejeitos dessa empresa. Uma proposta chegou a ser feita ao dono da Minerita, Dílson Fonseca, mas não houve consenso.
- O plano era usar a barragem da Minerita para viabilizar a expansão da MMX. A barragem é grande o suficiente e as minas das duas empresas são próximas. Mas não chegamos a um acordo sobre o valor - disse uma fonte.
BTG, B&A, Minerita e MMX não quiseram comentar. A MMX informou apenas que "decidiu, de forma conservadora, desacelerar o ritmo do projeto (de expansão de Serra Azul) em virtude de atraso no licenciamento ambiental". Disse que estima "retomar a normalidade das obras bem como negociações inerentes ao financiamento tão logo obtenha a conclusão desse processo".

PORTO DO SUDESTE
Descartada a participação da B&A no processo de reestruturação da MMX, sobraram menos opções sobre a mesa. A suíça Glencore Xtrata e a holandesa Trafigura mantêm conversas com a empresa, mas o interesse de ambas é no Porto do Sudeste, ativo mais valioso da companhia. Eike, no entanto, não quer vender apenas o porto.
O empresário tem consciência de que a chave do sucesso para uma mineradora é ter boa logística. Sem o porto e com dificuldades de viabilizar a expansão, a MMX perderia muito valor. Em último caso, dizem fontes do setor, a saída seria vender o porto e assegurar, por meio de contrato de longo prazo, uma janela para exportar a produção da MMX.
A consultoria Alvarez & Marsal também atua no processo de reestruturação do grupo de Eike, acompanhando o dia a dia das operações e, dizem fontes, com objetivo de enxugá-las e reduzir o tamanho das empresas.

O Globo, 01/07/2013, Economia, p.20

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