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Embate com Dilma enfraquece Marina e Lula já estuda nomes de substitutos

O Globo, O País, p. 9
05 de Dez de 2006

Embate com Dilma enfraquece Marina e Lula já estuda nomes de substitutos
Jorge Viana e Jerson Kelman são alguns dos cotados para o Meio Ambiente

Gerson Camarotti e Patrícia Duarte

A avaliação feita no núcleo do governo é de que a situação da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, está muito próxima de ficar insustentável.

Ganha força no Planalto a opinião da ministra Dilma Rousseff (Casa. Civil), que defende a mudança, mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva procura uma solução para uma saída menos traumática do maior símbolo do PT na área ambiental.

Como em outras ocasiões em que precisou demitir amigos, Lula anda angustiado. A um interlocutor, disse recentemente que Marina, além de ser sua amiga, tem papel importantíssimo para o partido e principalmente para imagem internacional do Brasil nessa área. Mas argumentou que a pasta do Meio Ambiente tem sido motivo de entraves técnicos para boa parte das obras de infra-estrutura classificadas como prioritárias.

- Ser governo não é algo simples. Tem hora em que é preciso resolver. Se um ministro não tem compreensão para isso, fica complicado. Há espaço para debater e apresentar idéias. Mas quando o governo toma uma decisão, tem que andar. O governo tem que ter eixo - desabafou Lula a um interlocutor, ao falar de Marina Silva.

Lula confidenciou que gostaria muito que o governador do Acre, Jorge Viana (PT), que está terminando seu mandato, fosse nomeado para o lugar de Marina. Isso, na sua avaliação, amenizaria a repercussão negativa de uma saída de Marina do governo. Viana tem forte atuação na área ambiental, e a substituição seria sem traumas. Mas Viana já teria recusado a tarefa.

Procurados ontem pelo GLOBO, a ministra Mariana Silva e o governador Jorge Viana não retomaram. Mas o senador acreano Tião Viana (PT) saiu em defesa de Marina.

Classificou de fogo amigo a notícia sobre sua saída:

- Marina representa um exemplo de vida. É um símbolo da luta ambiental no mundo. Ela tem nosso apoio e qualquer movimento contra ela será contra todos nós do PT do Acre. Há divergências entre ministros. Isso é normal. Não é positivo isso parar nas páginas dos jornais. É o chamado fogo amigo do governo -- disse Tião Viana.

O senador fez uma referência indireta à disputa nos bastidores entre Marina Silva e a poderosa chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Isso porque Dilma tem culpado a área ambiental pelos principais obstáculos para a realização de obras.

Outro nome citado nas conversas dentro do governo para o Meio Ambiente é o do atual diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Anel), Jerson Kelman. Respeitado no setor de infra-estrutura e com experiência acadêmica, Kelman seria uma solução técnica. Com perfil mais desenvolvimentista que Marina, o que agrada neste momento, ele ainda merece respeito e atenção especiais da ministra Dilma Rousseff.

Kelman chegou à Aneel há quase dois anos pelas mãos da própria Dilma - na época ministra de Minas e Energia -antes mesmo que ele completasse seu mandato como diretor-geral da Agência Nacional de Águas (Ana). Para isso, a ministra teve de convencer sua colega Marina Silva a abrir mão de Kelman, uma vez que a Ana é ligada ao Ministério de Meio Ambiente.

Kelman já trabalhou no governo Fernando Henrique Cardoso e foi um dos principais responsáveis pelo plano de racionamento que o país viveu por conta do apagão. Ele elaborou o relatório Kelman, usado como base para as medidas tomadas pelo governo naquela época, e que acabou, mais tarde, caindo nas graças de Dilma.
Kelman é PhD em Hidrologia e Recursos Hídricos pela Colorado State University.

Solidariedade inesperada de colega da Agricultura
Triplicar produção serra derrubar árvores'

O ministro da Agricultura, Luiz Carlos Guedes Pinto, disse que o Brasil poderá se desenvolver e aumentar a produção de grãos sem desmatar ou prejudicar o ecossistema. Sua declaração agradou à ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que vive embate com a colega da Casa Civil, Dilma Rousseff, por causa da demora na concessão de licenças ambientais em obras de infra-estrutura. Normalmente, Agricultura e do Meio Ambiente divergem sobre assuntos comuns às duas pastas.

- Podemos triplicar a nossa produção de grãos sem derrubar uma única árvore, porque temos tecnologia, recursos humanos e terras disponíveis - disse Guedes.

O alvo do ministro eram países desenvolvidos, que acusam o Brasil de desmatar a Floresta Amazônica na exploração de soja e pecuária. No seminário "Inventário florestal nacional do Brasil (IFN-BR)", Guedes enfatizou que o Brasil é o país que mais tem conservado suas florestas. Segundo ele, pesquisa da Embrapa mostra que, nos últimos oito anos, o Brasil preservou 69,4% das suas florestas primárias.

- A média mundial foi de 24,1%. Isso aumenta a responsabilidade, e a contribuição que o Brasil poderá dar.

Marina disse ter ficado feliz com o discurso de Guedes. Ela defendeu os avanços do governo Lula no meio ambiente, destacando a criação da Lei de Gestão de Florestas Públicas e a aprovação, pelo Congresso, da Lei da Mata Atlântica.

O Globo, 05/12/2006, O País, p. 9

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