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Em defesa do consumo consciente

CB, Opinião, p. 29
Autor: MINC, Carlos
27 de Jul de 2009

Em defesa do consumo consciente

Carlos Minc*
Ministro do Meio Ambiente

O sucesso da preservação dos ecossistemas depende da consciência e da mudança de comportamentos. A educação ambiental profunda supõe uma ampla disponibilidade de informações, exercícios de análise, práticas de monitoramento, centrais de reciclagem, trabalho com as famílias, com as escolas, interação com as unidades de conservação e conhecimento dos problemas e soluções ambientais para indústrias, ecossistemas e comunidades da região. No caso das escolas, o ideal é tirarmos os alunos das salas de aula, levando-os para conhecer de perto os problemas locais, o desmatamento de uma encosta, a poluição de um rio.
À frente do Ministério do Meio Ambiente, há um ano estamos empenhados em difundir esses princípios, aprofundar as discussões sobre a agenda ambiental, além de implementar as ações voltadas para a educação ambiental em todo o país. Trabalhamos com cinco metas prioritárias no Ministério: agilizar e destravar o licenciamento ambiental; adotar métodos modernos e eficazes de fiscalização, de investigação e de combate à impunidade ambiental; ampliar o uso de tecnologias e energias limpas, com incentivos às pesquisas aplicadas e a créditos direcionados, inclusive do BNDES; generalizar a educação ambiental e formar uma rede de apoio político e social, incluindo prefeituras e sindicatos, que sustente o desenvolvimento solidário e não predatório; e aumentar a conectividade do setor ambiental com os setores produtivo, científico e governamental, adotando estratégias pactuadas de responsabilidade socioeconômica.
Especificamente na área de educação ambiental, temos trabalhado em três frentes: o licenciamento ambiental de atividades poluidoras, a gestão participativa de unidades de conservação e a gestão integrada dos recursos hídricos. Para desempenhar essa missão, nosso Departamento de Educação Ambiental está comprometido com a promoção de processos educativos voltados para que diferentes grupos sociais se apropriem de forma qualificada dos instrumentos de gestão ambiental pública.
Quando assumi, a área ambiental estava isolada, dentro e fora do governo. Restabelecemos o diálogo com o setor produtivo e com os ministérios de Energia, Infraestrutura, Indústria e Agricultura. A repressão ao desmatamento avança com os satélites do Inpe e dos japoneses, a inteligência do Ibama, o planejamento com a Polícia Federal, convênios com o Exército e a Aeronáutica, controle dos entroncamentos rodoviários e o desenvolvimento sustentado, com o extrativismo revigorado, manejo florestal e recuperação de áreas degradadas, inclusive com apoio do Fundo Amazônia.
Temos atuado diuturnamente na defesa do desenvolvimento sustentável, do uso racional dos recursos e do estabelecimento de um novo modelo de desenvolvimento econômico que seja compatível com a preservação do meio ambiente em prol do bem-estar de todos nós, de nossos filhos, netos, bisnetos. E a educação ambiental permeia todos esses esforços.
Em artigo recente publicado neste jornal, uma frase minha foi usada fora de contexto e incorretamente, como se eu defendesse o consumo desenfreado de bens e serviços para que o governo possa ampliar sua arrecadação. Defendo o consumo sim, mas o consumo consciente que permita às futuras gerações usufruir dos recursos naturais do nosso planeta.
Aqui no MMA temos buscado estimular diversas ações nesse sentido, como o programa de troca de geladeiras, que vai beneficiar milhares de brasileiros e garantir que a nossa camada de ozônio seja preservada dos gases de efeito estufa. Com o Conama, conseguimos aprovar resolução que reduz significativamente o número de partículas de enxofre no nosso óleo diesel. Também defendemos o boicote que está sendo feito pela sociedade aos frigoríficos que não têm controle sobre a origem da carne que compram e estimulam o desmatamento na Amazônia. E essa agenda tem pautado não só minha atuação no Ministério como também minha atuação como deputado estadual e secretário de Ambiente no Rio de Janeiro.
Hoje, no Rio, todos os projetos financiados pelo Fundo Estadual de Conservação Ambiental (Fecam) destinam de 1% a 5% do valor dos investimentos em programas de educação ambiental. Foi criado o projeto Nas Ondas do Ambiente, em que equipes de rádios comunitárias apoiam alunos e professores na sua operação e na produção de programas de EA a partir dos problemas das comunidades próximas. Em escolas da região serrana, os alunos adotaram rios e monitoraram seu curso, desde a nascente na serra, cristalina, até o centro das cidades, onde todos se convertem em esgoto. Levantaram as atividades poluentes de cada trecho, e com ambientalistas e imprensa exigiram mudanças nessas empresas. E é com essa premissa que continuaremos trabalhando: aprender fazendo. A natureza agradece.

CB, 27/07/2009, Opinião, p. 29

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