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Eficiência energética reduz emissão de gás carbônico

OESP, Economia, p. B
03 de Fev de 2007

Eficiência energética reduz emissão de gás carbônico
Economia no consumo diminui necessidade de expansão do parque gerador com térmicas

Nicola Pamplona

A busca por maior eficiência energética é a maneira mais eficaz de reduzir um possível aumento das emissões de gás carbônico pelo sistema elétrico brasileiro, apontam especialistas do setor. Estudo divulgado ontem pelo Greenpeace, por exemplo, aponta um potencial de economia de até 413 mil gigawatts-hora (GWh) por ano em 2050, se houver incentivo ao consumo mais inteligente de energia. O volume equivale a mais de quatro vezes o que gera a Usina de Itaipu, a maior do País.

'Eficiência energética se traduz em redução da necessidade de expansão do parque gerador e evita o aumento das emissões de CO2 no futuro', afirma o professor de planejamento energético da Coppe/UFRJ, Roberto Schaeffer. O professor é um dos colaboradores brasileiros nos estudos do Painel Intergovernamental sobre a Mudança Climática, que começaram a ser divulgados ontem. Na opinião de Schaeffer, o tema ainda é tratado como o 'primo pobre' do setor elétrico brasileiro, relegado ao segundo plano em discussões que privilegiam a construção de usinas. 'Infelizmente, eficiência energética não dá voto como anunciar grandes obras.'

Em sua proposta de matriz energética brasileira, feita em parceria com especialistas da USP, o Greenpeace calcula que a melhoria no consumo de energia pode poupar R$ 70 bilhões por ano, a partir de 2050, no custo da energia no País. O documento divulgado ontem diz que, pelo modelo atual, o Brasil gastaria R$ 530 bilhões com a produção de energia naquele ano. Pelo modelo proposto, sem energia nuclear ou de combustíveis fósseis, o gasto seria de R$ 350 bilhões - a economia restante, de R$ 110 bilhões, viria pelo uso de combustíveis renováveis.

EFICIÊNCIA

Schaeffer propõe a implementação de níveis mínimos de eficiência na fabricação de eletrodomésticos e automóveis no Brasil, como ocorre em países da Europa. Os produtos só poderiam ser fabricados se respeitassem um limite máximo de consumo de energia.

Segundo ele, o principal problema das emissões de gás carbônico no Brasil está nos transportes, uma vez que o parque gerador de energia é basicamente hidrelétrico. O pesquisador admite, porém, que a tendência do sistema elétrico é de emitir cada vez mais gás carbônico, já que térmicas a gás e a carvão devem ganhar peso no parque gerador.

Por isso, o Greenpeace sugere uma matriz para 2050 onde renováveis, incluindo a hidreletricidade, responderiam por 88% e o gás natural, pelo restante. Mantido o ritmo atual, diz o estudo, as energias renováveis chegariam a 2050 com 56%.

OESP, 03/02/2007, Economia, p. B

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