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Diretor do Ibama investigado por fraude e solto em Mato Grosso

O Globo, O Pais, p.16
09 de jun de 2005

Diretor do Ibama investigado por fraude é solto em Mato Grosso
Anselmo Carvalho Pinto
Especial para O GLOBO
CUIABÁ. O diretor de Florestas do Ibama, Antônio Carlos Hummel, deixou a cadeia anteontem à noite, depois de ter sua prisão relaxada pelo juiz federal Julier Sebastião da Silva. Ele está sendo investigado pela Operação Curupira, que descobriu um esquema de fraude nos órgãos ambientais de Mato Grosso em favor de madeireiras que atuam na ilegalidade.
Segundo o procurador da República Mário Lúcio Avelar que pedira a prisão, não há justificativa para manter Hummel na cadeia, já que ele prestou depoimento e sua liberdade não deverá atrapalhar as investigações.
O Ministério Público Federal acusa Hummel de favorecer madeireiros ao promover o que o procurador classifica como desmonte do Sistema de Controle de Produtos Florestais (Sisprof) e aprovar planos de manejo em reservas florestais e indígenas, apesar de ter recebido alerta contrário de técnicos do órgão.
Ao ser lançado em 2001, o Sisprof surgiu como a maior arma contra a aprovação de planos de manejo e planos de exploração florestal em áreas protegidas. Seu sistema seria capaz de impedir, ainda no início, as chances de qualquer projeto irregular obter autorização. Mas, segundo o Ministério Público Federal, Hummel não teria posto em prática o módulo mais importante do Sisprof, permitindo a ocorrência de fraudes.
Esquema já levou para a cadeia cerca de cem pessoas
O próprio Ministério Público Federal protocolou o pedido de relaxamento de prisão. Na noite de terça, o juiz Julier da Silva aceitou o pedido, entendendo que o depoimento tomado pela Polícia Federal atende os interesses da investigação, desde que resguardadas as provas já levantadas contra Hummel.
O esquema nos órgãos ambientais de Mato Grosso levou para a cadeia cerca de cem pessoas em seis estados e no Distrito Federal. As investigações identificaram ao menos dez tipos de fraudes, envolvendo falsificação, extravio, roubo e comercialização de Autorização para Transporte de Produtos Florestais (ATPFs).
O escândalo resvalou no PT, cuja campanha para prefeito de Cuiabá em 2004, com o candidato Alexandre Cesar, recebeu R$ 60 mil de empresas beneficiadas pelas fraudes.
Em Mato Grosso, o PT afastou preventivamente três de seus filiados. O principal deles é o ex-gerente do Ibama em Cuiabá, Hugo Werle, integrante do conselho fiscal do diretório municipal. Além de Werle, foram afastados os diretores dos escritórios regionais de Juína, Marcos César Antoniassi, e de Sinop, Ana da Riva. O primeiro é presidente do diretório municipal do PT em Terra Nova do Norte. Já Ana, que deixou a cadeia anteontem, integra a diretoria do partido em Sinop.

O Globo, 09/06/2005, p. 16

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