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Deputado favorece empresas em nova lei da mineração

OESP, Metrópole, p. A27
14 de Nov de 2015

Deputado favorece empresas em nova lei da mineração
Ambientalistas acusam relator do novo código, Leonardo Quintão, do PMDB-MG, de afrouxar regras ligadas à licitação de minas

André Borges e Daniel Carvalho - O Estado de S. Paulo

Organizações ligadas a questões ambientais apontam que o relatório do deputado Leonardo Quintão (PMDB-MG) do novo Código de Mineração flexibiliza as atuais regras, de 1967. Uma das principais evidências de favorecimento às mineradoras, segundo o Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), está ligada ao afrouxamento das regras para licitação.
Segundo Alessandra Cardoso, assessora de planejamento, monitoramento e avaliação do Inesc, o projeto inicial tinha a intenção de levar uma maior regulação ao setor mineral, ao estabelecer que as áreas seriam licitadas, substituindo o modelo atual, que se baseia no "direito à prioridade", ou seja, o espaço é dado a quem pedir primeiro. "Essa proposta foi totalmente desconfigurada e esvaziada."
No relatório atual, a licitação passou a ser válida só para regiões consideradas "áreas livres". Na prática, locais onde não existam pedidos de autorização de pesquisa. Sou houver, mesmo que seja em fase preliminar, continua a valer o direito de prioridade.
Outra medida que exclui a realização de licitação está relacionada à própria capacidade do governo de prover informações técnicas do setor. Ficou decidido que, se o governo negar a autorização de pesquisa de uma empresa, porque pretende fazer a própria análise mineral para uma futura licitação, terá o prazo máximo de seis meses para a realização do estudo. Caso contrário, a área será passada para quem realizou esse pedido. "É um prazo irrealista", comentou Alessandra Cardoso.
Quintão rebate o argumento, afirmando que o governo "tinha um projeto intervencionista, queria licitar tudo, o que iria afugentar todo o investimento no Brasil". "Isso não existe no mundo inteiro."
Para o coordenador do Grupo de Trabalho de Mineração da Procuradoria-Geral da República, procurador Darlan Dias, a proposta do código falha ao não incorporar exigências ambientais e trabalhistas ligadas especificamente à prática da mineração, fazendo apenas referência às leis do trabalho e do meio ambiente que já existem. Já Quintão nega ter flexibilizado a legislação. "No meu relatório incidem mais taxas, mais compensação", exemplificou.
O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), quer criar uma nova comissão especial para o caso. "Não tem mais o que ser discutido. Temos que votar", disse o relator.

OESP, 14/11/2015, Metrópole, p. A27

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