OESP, Metrópole, p. A16
28 de Jul de 2016
Conselho estadual libera transposição de rio
Consema aprovou pedido da Cetesb para obra no Itapanhaú criticada por ambientalistas; captação de água será feita em região sensível no litoral
Giovana Girardi
O Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema) aprovou ontem o pedido da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) de concessão de licença prévia para a obra de transposição do Rio Itapanhaú para o sistema Alto Tietê. O projeto, criticado por cientistas e ambientalistas, terá captação de água em região sensível no litoral norte, com várias unidades de conservação.
Ambientalistas membros do Consema tentaram adiar a avaliação sobre o estudo de impacto ambiental (EIA) apresentado pela Sabesp, alegando que ele não dimensiona quais podem ser os impactos na região. O pedido, porém, foi endossado somente pela bancada de ambientalistas do Consema (5 representantes, num total de 36), e o EIA foi aprovado pela maioria dos presentes na reunião: 24 votos a favor, 5 contra e 1 abstenção. Seis membros faltaram.
Como o Estado noticiou em março e na semana passada, o EIA recebeu pareceres negativos de técnicos da Fundação Florestal, órgão responsável pela gestão de unidades de conservação do Estado, que também tinham alertado para a falta de informações do EIA. No final de junho, no entanto, a Fundação Florestal acabou concordando com o projeto depois que a Sabesp apresentou um plano de monitoramento da região.
Críticas. Durante a apresentação, pela Sabesp, do projeto e do EIA para os conselheiros, moradores de Bertioga, cidade mais próxima ao empreendimento, manifestaram-se com cartazes que diziam: "Deixem nossos rios em paz" e "Mais de 30% da água é desperdiçada. Resolvam isso primeiro".
O conselheiro Dimitri Aud defendeu o adiamento da avaliação sobre o EIA e lembrou o preceito de criticidade, que já foi usado pelo governo para apressar obras contra a crise hídrica. "A justificativa do empreendimento foi a criticidade. Mas não estamos nessa situação agora", disse, se referindo ao fato de que o sistema Alto Tietê está com volume de 44,5%. Por isso, ele defendeu mais tempo para que o empreendedor propusesse um novo EIA. "O levantamento de fauna foi feito em cinco dias. Foge ao que temos estudado no Consema."
O novo secretário do Meio Ambiente, Ricardo Salles, presidiu sua primeira reunião do Consema e respondeu a alguns questionamentos, mas evitou entrar no mérito do Itapanhaú. "Não podemos nos furtar a dar soluções enquanto o problema vai sendo tratado", disse. E rebateu o argumento da criticidade. "No Alto Tietê, estamos falando em volume em 44,5%. O porcentual que deveria estar, de segurança, é 70%."
O Ministério Público Estadual está analisando o posicionamento da Cetesb e estudando ações a serem tomadas.
OESP, 28/07/2016, Metrópole, p. A16
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