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Comunidades indígenas comemoram decisão "Ou Vai ou Racha" em Uiramutã

CIR-Boa Vista-RR
25 de abr de 2003

As comunidades da terra indígena Raposa Serra do Sol iniciaram hoje, 25, e encerram amanhã na aldeia Uiramutã, as comemorações do "Ou Vai ou Racha". A festa é uma memória da decisão de 26 de abril de 1977, quando a maloca Maturuca resolveu dizer "não à bebida alcoólica e sim à comunidade", iniciando o processo de organização que culminou com a criação do Conselho Indígena de Roraima - CIR.

A decisão de 1977 é um marco histórico do compromisso com a luta e organização do movimento indígena no estado de Roraima. Os povos macuxi, ingarikó, wapichana, taurepang e patamona comemoram a caminhada com danças tradicionais, cantos e encenações onde os velhos refletem com os jovens quase três décadas de resistência.

A cada cinco anos a festa percorre as aldeias da região das Serras. Ano passado, celebração dos 25 anos, mais de dois mil indígenas participaram das atividades que encerrou na aldeia Uiramutã, em 30 de abril, apenas 48 horas antes da inauguração do 6o Pelotão Especial de Fronteiras. Naquela data os militares acusaram os índios de planejarem invadir o quartel.

Este ano, coincidência ou não, a prefeitura de Uiramutã preparou uma festa para o recebimento do Prêmio do Sebrae de "Prefeitura Empreendedora". A solenidade no município ocorreu ontem, 24 de abril, mas segundo informações de líderes indígenas da região, poderá se estender até amanhã, paralela a do "Ou Vai ou Racha".

Nos festejos as comunidades vão protestar contra a demora na homologação de Raposa Serra do Sol e a presença de cinco vilarejos no interior da área, que ainda hoje servem de apoio à garimpagem ilegal na região. O centro antigo aldeia Uiramutã, um dos cinco vilarejos, foi transformado de forma fraudulenta em sede municipal em 1996.

Quartel - A festa "Ou Vai ou Racha" acontece em frente ao 6o Pelotão Especial de Fronteiras de Uiramutã. Em 2002, os militares cercaram o quartel com tanques blindados, cavalaria, artilharia e soldados camuflados para intimidar os indígenas. "Eles pareciam estar preparados para uma guerra", disse à época o tuxaua de Uiramutã, Orlando Pereira. A inauguração daquela base militar havia sido antecipada para dois dias após a festa porque o Exército temia uma invasão do quartel durante os festejos.

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