OESP, Vida, p. A20
18 de Dez de 2008
'Cerco' a 36 municípios funcionou
Desmate de floresta amazônica caiu com fiscalização
Giovana Girardi
A estratégia de fiscalização intensiva nos 36 municípios campeões de desmatamento na Amazônia funcionou para diminuir o avanço da motosserra neste ano, mas pode ser insuficiente para alcançar as metas do governo de redução do problema no ano que vem. Essa é a conclusão de um estudo que será divulgado hoje pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam).
O trabalho avaliou a eficácia do Decreto Federal 6.321, baixado no final do ano passado para tentar conter o avanço de desmatamento que vinha se desenhando nos últimos meses e que poderia aumentar em 2008. Isso inverteria a tendência de queda do desmate vista desde 2006.
O estudo do Ipam levou em conta os dados de desmatamento divulgados no começo deste mês pelo Inpe. Eles mostraram que os 36 municípios, que em 2007 tinham sido responsáveis por 49,1% do desmatamento total, passaram a responder por 41,7% da área derrubada em 2008. No primeiro semestre deste ano, enquanto houve um aumento de 4% no desmatamento em toda a Amazônia, naquelas cidades houve queda de 7%.
A partir do decreto, o governo vem intensificando ações de controle nesses municípios. Trabalhou na regularização fundiária, criou novas regras para crédito rural, embargou o uso econômico de áreas degradadas e responsabilizou quem comprasse produtos provenientes de área desmatada ilegalmente.
Para André Lima, um dos autores do estudo, esses números mostram que é possível conter a destruição da Amazônia desde que ações como essas sejam mantidas e reforçadas no ano que vem. "O primeiro passo é fazer uma nova lista para ampliar os municípios alvos dessas estratégias se o governo quiser alcançar a meta de redução do desmatamento", afirma. No começo do mês o presidente Lula anunciou que pretende reduzir em 40% a devastação entre 2006 e 2009 na comparação com a média observada entre 1996 e 2005. Para atingir isso, a taxa do ano que vem não pode passar de 9.200 km², a menor de todos os tempos.
Mas o trabalho mostra que só essas medidas de controle não serão suficientes. "Para alcançar a meta é necessário priorizar já atividades econômicas sustentáveis na região, com incentivos financeiros para manter a floresta em pé. Só passar o chapéu pedindo doação externa não vai resolver e não dará tempo."
OESP, 18/12/2008, Vida, p. A20
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