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Brasília não sabe cuidar do seu lixo

www.emtemporeal.com.br
05 de dez de 2007

Todos os dias, os caminhões do Serviço de Limpeza Urbana (SLU) derramam 2,2 mil toneladas de lixo domiciliar no Aterro Controlado do Jockey, mais conhecido como Lixão da Estrutural, que também é destino certo de pelo menos 4 mil toneladas de entulho coletadas a cada 24 horas em obras e reformas espalhadas pelo Distrito Federal. Há 40 anos, montanhas de até 12m de altura de lixo se acumulam no local, com a capacidade esgotada há mais de um ano. Gases se formam da combustão dos dejetos, escapam livremente para a atmosfera e o chorume escorre pelo solo, com risco de contaminação do lençol freático e da mais importante unidade de conservação do DF, o Parque Nacional de Brasília.

O destino dos resíduos do brasiliense é motivo de vergonha para os moradores da capital. Mesmo sem tratamento adequado e condenado ambientalmente, o Lixão da Estrutural é o único lugar licenciado para receber os dejetos do DF. Para lá vai qualquer tipo de lixo, com exceção do hospitalar, que é incinerado em Ceilândia. O material é enterrado em camadas, mas sem ser reaproveitado ou reciclado. Centenas de famílias de catadores vivem entre os materiais tóxicos. Crianças brincam no meio da sujeira e mães preparam refeições com restos de comida.

Desde 2005 fala-se na extinção do Lixão e na recuperação da área. Um novo terreno, do tamanho de 72 campos de futebol, já foi escolhido em Samambaia para abrigar um aterro sanitário, que dará a correta destinação ao lixo. A idéia é reaproveitar até 60% dos dejetos, que podem ser transformados em biodiesel e energia. Mais de 10 empresas, inclusive grupos estrangeiros, se mostraram interessadas na concessão da área, que já recebeu inclusive Licença Prévia do órgão ambiental local, atualmente vencida. Por enquanto, porém, tudo não passa de um projeto que não saiu do papel.

Em 90 dias, o edital de licitação para as empresas apresentarem os projetos do aterro sanitário deve estar nas ruas, mas o Lixão da Estrutural vai continuar em operação por um ano, podendo chegar a dois. A diretora do SLU, Fátima Có, explica que não há como fechar o velho aterro sem a construção do novo. Mas ela discorda de especialistas que afirmam que a capacidade do local está saturada. "Fizemos obras emergenciais no Lixão. Colocamos drenos para o chorume e passamos a enterrar o lixo, o que ameniza o impacto. Só se fala em fechá-lo, mas agora que não está mais abandonado, ele agüenta mais dois anos", afirma.

O superintendente do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama-DF), Francisco Palhares, classifica como desastrosa a ausência de política pública relacionada ao lixo no DF. "Já demonstramos nossa preocupação inúmeras vezes, principalmente em relação ao Lixão. Enquanto isso, medidas paliativas tentam apenas conter o chorume. Falta vontade para resolver o problema", critica.

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