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Brasil quer cortar gases-estufa

O Globo, Ciência, p. 36
Autor: ROSA, Luiz Pinguelli
07 de Ago de 2009

Brasil quer cortar gases-estufa
Pela primeira vez, governo admite assumir metas de redução em reunião da ONU

Catarina Alencastro

Atendendo, em parte, à pressão dos países ricos para que os emergentes se comprometam com metas internacionais de redução de emissões de gases causadores do efeito estufa, o governo brasileiro vai assumir, na reunião de cúpula da ONU sobre Mudanças Climáticas, em dezembro, em Copenhague, sua intenção de cortar emissões. Em outubro, o Brasil já terá uma estimativa de quanto poderá reduzir até 2020. Mas, na prática, a proposta não obriga o país a seguir rigorosamente o plano, já que é um projeto de intenções.

Na próxima segunda-feira, a delegação brasileira segue para Bonn, na Alemanha, onde haverá nova rodada de negociações para o encontro do fim do ano. Lá, o Brasil vai manter a negativa à proposta de países ricos para que os emergentes assinem um acordo internacional para cortar suas emissões.

- As metas do Plano Clima são internas e não comprometem o Brasil internacionalmente com o seu cumprimento. Mas ao torná-las públicas para todo o mundo, está se tomando um compromisso moral muito forte no debate internacional. - defendeu Tasso Azevedo, assessor especial do Ministério do Meio Ambiente para Clima.

O plano brasileiro prevê a diminuição do desmatamento em 70% até 2017, com base na média desmatada entre 1996 e 2005. Com isso, o país deixaria de emitir 4,8 toneladas de CO2. O desmatamento que acontece em todo o planeta é responsável por 10% das emissões totais no mundo. No Brasil, é o principal vilão. Segundo o último inventário oficial, com base em dados de 1994, representava 70% das emissões do país.
Para ambientalistas, projeto é incoerente
O plano fixa metas voluntárias.
Além disso, é uma iniciativa isolada dos demais projetos de governo. Para ambientalistas, o Brasil dá sinais trocados ao ter um belo plano ambiental que não dialoga com as áreas que deveria, como transportes e energia.

- Há várias incoerências. O Plano Decenal de Energia e o PAC não refletem princípios do Plano Clima - observa Carlos Rittl, coordenador do programa de Energia e Mudanças Climáticas da WWF.

O plano energético do Brasil prevê a construção de 82 novas usinas termelétricas. Segundo dados do Ibama, há 11 termelétricas em processo de licenciamento. Outros 115 empreendimentos de mineração e 213 obras de rodovia aguardam o aval do órgão ambiental. Para a construção de parques eólicos, apenas quatro projetos aguardam autorização do Ibama.

A secretária de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente, Suzana Kahn, admite a dificuldade, mas diz que muito já se avançou em termos de conscientização ambiental neste governo.

- Há dois anos um plano de clima era tabu no governo. Sonho fazer um PAC ambiental e acredito que a variável climática pode estar inserida no PAC que Lula anunciou.

Corpo a Corpo
O consumo tem que diminuir

Luis Pinguelli

O secretário do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, Luiz Pinguelli Rosa, defende que a classe média brasileira reduza seu padrão de consumo para que o país cumpra a sua parte no combate ao aquecimento global.

O Globo: O que o Brasil deve fazer para diminuir as suas emissões?

Luis Pinguelli: O Brasil deve ter jogo de cintura para diminuir o desmatamento e o consumo da classe média, que é igual ao da europeia. Pobres podem aumentar seu consumo de energia, mas ricos, não.

Como?

Pinguelli: A classe média brasileira terá que usar menos automóveis. Vai ter que economizar energia, usar equipamentos mais eficientes em casa etc. Esses automóveis horrorosos, com tração nas quatro rodas, têm que ser taxados fortemente. Outra coisa é a retirada do mercado de produtos ineficientes. Isso poderia ser feito na indústria de eletroeletrônicos (CA.)

O Globo, 07/08/2009, Ciência, p. 36

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