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BNDES quer financiar recuperação do Paraíba

O Globo, Rio, p.13
12 de mai de 2004

BNDES quer financiar recuperação do Paraíba

Tulio Brandão

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) quer fazer um plano para financiar a recuperação de toda a Bacia do Rio Paraíba do Sul. O gerente de meio ambiente da instituição, Mário Miceli, anunciou ontem que vai recorrer ao Comitê para a Integração da Bacia do Paraíba do Sul (Ceivap) para direcionar os empréstimos.

- O banco está disposto a entrar no assunto com afinco. Queremos fazer um plano para a bacia como um todo, tentar tornar possível a despoluição da cabeceira à foz do Paraíba - disse Miceli.

O presidente do BNDES, Carlos Lessa, fez um alerta para a situação crítica da Bacia do Paraíba do Sul, responsável pelo abastecimento de 80% da Região Metropolitana do Rio. Ele acredita que os financiamentos podem começar em indústrias.

- Vivemos uma situação de vulnerabilidade de uma população colossal por uma irresponsabilidade. O BNDES pode financiar um programa para as empresas que estão poluindo. A CSN melhorou com o dinheiro do banco. Eu gostaria de financiar todas as empresas. Aí o governo do estado arranja um dinheirinho para desassorear e outro consegue fazer uma rede de esgoto. Nós estamos dispostos a financiar tudo o que for possível, e tem muita coisa possível - disse Lessa.

Ao saber da proposta do BNDES, o Ceivap demonstrou interesse na ajuda, mas adiantou que as restrições de financiamento dificultam o projeto.

- O presidente Eduardo Meohas tem todo o interesse em dialogar com o BNDES. O nível de interesse dos agentes financeiros mostra que estamos no caminho.
COLABORARAM: Flávia Oliveira e Mirelle de França

A série sobre o Paraíba

A degradação do Rio Paraíba do Sul e a ameaça de colapso no sistema hídrico fluminense viraram tema de uma série de oito matérias publicadas pelo GLOBO entre 11 e 18 de abril.

Na primeira reportagem, um estudo do Laboratório de Hidrologia da Coppe/UFRJ mostrou o risco iminente de colapso do Paraíba do Sul, agravado pelo menor nível dos reservatórios de cabeceira da história naquele período.

Na seqüência, Gustavo Nunan, do Museu Nacional da UFRJ, apresentou um estudo sobre a deformação de peixes que vivem perto dos sedimentos do Paraíba do Sul, provocada por substâncias como o benzopireno. A terceira reportagem denunciou o despejo de esgoto sem tratamento das tubulações da sede da prefeitura dos três principais municípios do Médio Paraíba.

Na reportagem seguinte, um estudo da Feema mostrou que as águas do reservatório do Funil estão contaminadas com algas tóxicas capazes de matar cobaias. Na quinta matéria, o jornal fez um alerta à extinção do camarão de água doce de São Fidélis e, na penúltima, abordou a polêmica na cobrança pelo uso da água do rio, entre o Ceivap e a Serla.

Para finalizar a série, O GLOBO preparou uma reportagem mostrando os obstáculos vencidos pela água do Paraíba à torneira dos cariocas e mostrou, em números, as deficiências da Cedae.

O Globo, 12/05/2004, Rio, p. 13

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