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Bloqueio indígena

Diário de Cuiába - http://www.diariodecuiaba.com.br/
17 de mar de 2011

Em efeito sanfona índios da etnia Terena que residem nas aldeias da Terra Indígena Iriri Novo, em Peixoto de Azevedo, fecham e abrem o tráfego de veículos na rodovia BR-163 Cuiabá-Santarém nas imediações de Itaúba (600 km ao norte de Cuiabá), desde segunda-feira.

A justificativa apresentada para o protesto dos índios é a falta de Coordenaria de Assistência Indígena em Matupá, que é a principal cidade no entorno da área onde habitam.

O protesto dos Terena estrangula o trânsito na ligação de Cuiabá com cidades do Nortão e parte do Pará no eixo de influência da BR-163; o movimento acontece num momento delicado em razão das constantes chuvas na região, o que resulta em atoleiros e dificuldade no transporte de passageiros e cargas nas estradas de chão.

A reivindicação Terena é justa. No entanto, nem todas as demandas de índios e da sociedade envolvente são atendidas pelo governo, porque vivemos numa nação em fase de desenvolvimento e que enfrenta problemas estruturais. Porém, se todas as vezes que um pedido não for deferido houver manifestação de protesto mergulharemos no caos.

Na década de 1990 os Terena agora em Iriri experimentaram doloroso período acampados nas imediações de Rondonópolis, logo após deixarem suas terras primitivas em Mato Grosso do Sul. Durante o tempo em que aguardaram por uma área em Mato Grosso, não foram poucos os bloqueios que fizeram na rodovia BR-364 naquele município, sendo que em alguns foram cometidos excesso devidamente registrados por imagens de televisão e transmitidos para o mundo.

O bloqueio na BR-163 tem pouca ou quase nenhuma repercussão em Brasília, que é centro das decisões nacionais, mas atinge duramente usuários dessa rodovia, que não tem nenhuma culpa pela inexistência da instituição reivindicada pelos Terena para Matupá.

As lideranças Terena em Iriri, no município de Peixoto de Azevedo, tem conhecimento da realidade nacional. Os caciques sabem que o ato que ora promovem desgasta a etnia perante a população envolvente, que a exemplo de seus vizinhos do lado de dentro das aldeias, também enfrenta contratempos pela presença acanhada do governo - em todas as suas esferas - naquela região.

Índios perfeitamente adaptados ao convívio urbano, os Terena tem inclusive uma área residencial em União de Norte, município de Peixoto de Azevedo, onde mantém ritmo de vida bem semelhante aos da vizinhança. Portanto, os caciques sabem bem que o protesto na BR-163 não tem eco político. Ao invés do radicalismo é preciso buscar entendimento para atendimento parcial, sem criar ilusão de resposta pronta e imediata para todas as demandas.

A realidade mato-grossense é que índios e sociedade envolvente estão no mesmo barco dependendo de Brasília para quase tudo. Essa situação não abre espaço ao radicalismo nem à busca desenfreada de direitos quando a mesma passa sobre os deveres de se respeitar o semelhante, que nesse caso é o usuário da BR-163.

A realidade mato-grossense é que índios e sociedade envolvente estão no mesmo barco

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