VOLTAR

Belo Monte pode ter até empresas derrotadas no leilão

OESP, Economia, p. B6
27 de Abr de 2010

Belo Monte pode ter até empresas derrotadas no leilão
Grupo que vai executar a obra ainda está sendo montado, e pode incluir empreiteiras afastadas da disputa, diz ministro de Minas e Energia

Gerusa Marques e Renato Andrade / Brasília

A construção da Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu (PA), vai contar com a participação de empreiteiras que ficaram de fora do leilão da hidrelétrica. "É normal que uma grande obra envolva várias empresas", disse o ministro de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, ao "Estado".
O grupo que executará a obra ainda está sendo montado, mas o ministro afirmou que até mesmo a Andrade Gutierrez, que liderou o consórcio derrotado no leilão da semana passada, poderá participar. "Uma coisa é a investidora de energia junto ao leilão, outra coisa é a empresa que constrói."
Grandes empreiteiras como Odebrecht, Camargo Corrêa e OAS já começaram a se movimentar para tentar garantir uma parcela das obras de Belo Monte que, quando for concluída, será a terceira maior hidrelétrica do mundo, com capacidade de geração de 11.233 megawatts (MW).
Ontem, a ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, coordenou uma reunião para avaliar as iniciativas que já foram tomadas pelo consórcio vencedor do leilão, o grupo Norte Energia, liderado pela Chesf, subsidiária da estatal Eletrobrás.
Participaram do encontro, o ministro Zimmermann, o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, o diretor de Planejamento e Engenharia da Eletrobrás, Valter Cardeal, o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Nelson Hubner, e o presidente do consórcio vencedor, José Ailton de Lima, que também é diretor da Chesf.
Segundo uma fonte, as negociações com as construtoras que tocarão a obra no Pará ainda não começaram, mas representantes da Andrade Gutierrez já deram sinais para o governo de que estão interessadas em participar do grupo de empreiteiras. A discussão que está mais adiantada é a com as empresas que poderão entrar no grupo que vai administrar a usina e que usarão a energia produzida para abastecer suas fábricas, os chamados autoprodutores.
Segundo essa fonte, as conversas estão sendo conduzidas com a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Gerdau e Braskem.
Saída descartada. A saída das construtoras Queiroz Galvão e J. Malucelli, que participaram do consórcio vencedor, foi descartada. "A J. Malucelli já assinou um compromisso para ficar no grupo e a Queiroz vai fazer o mesmo amanhã (hoje)", disse a fonte. A possibilidade de as empresas deixarem o consórcio foi levantada horas depois do leilão.
A J.Malucelli negou oficialmente os boatos. A Queiroz Galvão não fez comentários, mas o governo entendeu o movimento apenas como uma pressão para garantir à construtora maior parcela na execução da obra. A pressão, entretanto, não deve surtir efeito.
Antes da reunião, o ministro de Minas e Energia disse ser possível que o consórcio Norte Energia tente obter nos órgãos ambientais uma licença prévia para instalar o canteiro de obras da usina, como foi feito pelas empresas responsáveis para construção da usina de Jirau, no Rio Madeira. O consórcio, entretanto, tem concentrado esforços para elaborar o mais rápido possível o Projeto Básico Ambiental (PBA) para conseguir a licença definitiva de instalação.

OESP, 27/04/2010, Economia, p. B6

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100427/not_imp543383,0.php

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.