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Belo Monte: desrespeito a direitos indígenas preocupa procuradores da República

Notícias do Ministério Público Federal - http://migre.me/b5zm
05 de Nov de 2009

Indígenas de toda a bacia do Xingu reclamam da falta das consultas nas aldeias, determinadas pela Constituição. MPF já recomendou ao Ibama que atenda a reivindicação dos índios

O Ministério Público Federal no Pará (MPF/PA) enviou recomendação ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para que realize consultas aos indígenas sobre a hidrelétrica de Belo Monte, em respeito à Constituição brasileira e a tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário. A recomendação ainda não teve resposta da direção do Instituto.

A indefinição sobre as consultas indígenas preocupa procuradores da República que acompanham o licenciamento de Belo Monte, como o procurador Rodrigo Timóteo Costa e Silva, que atua em Altamira: "Além da pressa, a falta de diálogo e esclarecimento têm marcado esse licenciamento. Recebemos queixas tanto de índios, como de outras populações diretamente afetadas e esse é um dos principais focos de tensão".

Enquanto o Ibama não apresenta uma resposta, uma das poucas referências claras ao assunto surgiu no parecer da Funai que recentemente declarou a hidrelétrica viável e considerou não serem necessárias as consultas. Causou revolta entre os índios.

"Repudiamos o parecer técnico da Fundação Nacional do Índio", diz a carta divulgada ontem, assinada por 212 lideranças de 14 povos indígenas da bacia do Xingu que serão afetados direta e indiretamente pela hidrelétrica.

Na carta, eles chegam a falar em "ações guerreiras" se as obras iniciarem: "A vida dos operários e indígenas estará em risco e o governo brasileiro será responsabilizado".

Para o MPF, se a Constituição manda e as lideranças dos povos que vivem às margens do Xingu exigem as consultas, é necessário que o órgão licenciador aja para evitar conflitos na região.

Afetados - Ainda essa semana, representantes do MPF devem estar na área da Volta Grande do Xingu, região em que os moradores perderão milhares de metros cúbicos de água com o desvio do rio para alimentação das turbinas da usina.

Haverá um encontro reunindo ribeirinhos, agricultores, indígenas, movimentos sociais e cientistas na vila da Ressaca, às margens do Xingu. Os líderes kayapó Raoni Metuktire e Megaron Txucarramãe são esperados.

"Serão dois dias de audiências públicas, 6 e 7 de novembro, programados para que os grupos sociais potencialmente atingidos por esta grande obra possam ser ouvidos em defesa de seu direito inviolável a continuar vivendo em paz em suas terras, sem a ameaça de projetos altamente impactantes como Belo Monte", diz o convite do evento.

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