Valor Econômico, Agronegócios, p. B16
03 de Abr de 2014
Avança controle na aquisição de bovinos na Amazônia
Luiz Henrique Mendes
De São Paulo
O Greenpeace informou ontem que os três maiores frigoríficos brasileiros - JBS, Marfrig e Minerva - apresentaram sistemas "eficazes" para a compra de gado bovino no bioma amazônico, conforme atestam relatórios das auditorias BDO e DNV.
Na prática, isso significa que os três frigoríficos conseguiram bloquear a aquisição de bois oriundos de fazendas que desmataram floresta, que utilizaram mão de obra análoga à escravidão ou que estão localizadas em terras indígenas e unidades de conservação na Amazônia.
Os relatórios das auditorias apresentados pelos frigoríficos se referem ao ano de 2013. Em comunicado, o Greenpeace diz que o nível de inconformidade com o acordo estabelecido com os frigoríficos em 2009 foi de menos de 1% em todos os critérios.
De acordo com a ONG ambientalista, a eficácia dos sistemas de controle de JBS, Marfrig e Minerva está relacionada ao georreferenciamento das propriedades dos fornecedores. Espécie de "Raio-X" das fazendas, é o mapeamento por satélite que determina não só os limites geográficos mas a área de florestas, de pastagens ou agricultura, e se há sobreposição de interesses - como terras indígenas. Só com essas informações é possível ao frigorífico identificar a legalidade do animal que compra.
"A eficácia dos sistemas de controle internos adotados pelos três frigoríficos só foi possível porque as empresas conseguiram um elevado percentual de fazendas fornecedoras georreferenciadas", afirmou a ativista do Greenpeace, Adriana Charoux.
No caso da JBS, o índice de fazendas fornecedoras que contam com georrefenciamento é de 50%, e a empresa se compromete a não comprar gado bovino de propriedades sem o mapeamento de satélite a partir de 2015. A Marfrig informa ter 98% de fornecedores com georrefenciamento e pretende completar 100% até o fim deste ano. O mais atrasado é o Minerva, com 43,4% de fornecedores com georreferenciamento. A empresa afirmou que pretende atingir os 100% no fim de 2016.
O monitoramento dos animais ganhou força entre os três frigoríficos nos últimos anos, após embates acalorados com o Ministério Público Federal - sobretudo as representações do Pará e Mato Grosso - e com o próprio Greenpeace, que acusavam o setor de corresponsabilidade na derrubada da maior floresta tropical remanescente do planeta. O embate resultou na pressão sobre grupos internacionais que compram carnes e subprodutos do boi brasileiro e em danos à imagem do setor. (Colaborou Bettina Barros)
Valor Econômico, 03/04/2014, Agronegócios, p. B16
http://www.valor.com.br/agro/3504152/avanca-controle-na-aquisicao-de-bo…
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