OESP, Economia, p. B5
16 de Nov de 2006
Após 20 anos, governo vai concluir obra de Angra 3
Paulo Moreira Leite e Nicola Pamplona
A retomada das obras da usina nuclear de Angra 3 é questão resolvida pelo governo. A decisão de concluir a usina amadureceu após demoradas avaliações e já estava consumada antes da eleição. Angra 3 consta do plano decenal de investimentos em energia, elaborado este ano pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), e depende apenas de aprovação pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).
O projeto deve consumir cerca de US$ 1,7 bilhão. As obras foram interrompidas há mais de 20 anos e só a manutenção dos equipamentos, já adquiridos e avaliados em torno dos US$ 750 milhões, custa perto de U$ 20 milhões por ano. Mas antes mesmo do anúncio oficial da retomada, a usina já vem enfrentando resistência. Anteontem, a Justiça Federal do Rio acatou pedido de liminar feito pelo Ministério Público Federal de Angra dos Reis suspendendo o processo de licenciamento ambiental.
O secretário de Energia, Indústria Naval e Petróleo do Estado do Rio, Wagner Victer, pediu ao ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, a convocação de uma reunião específica para tratar do assunto. As discussões estão suspensas desde abril do ano passado, quando o então ministro da Casa Civil, José Dirceu, pediu vistas do processo em meio a uma votação que encaminhava-se para uma derrota dos defensores da usina.
Fontes do setor nuclear avaliam que o momento é favorável a uma nova reunião sobre o tema. A oferta de energia pode inibir um crescimento da economia a taxas maiores do que 3,5% e há cada vez mais obstáculos à construção de grandes barragens para hidrelétricas.
A alternativa nuclear acompanha a tendência mundial de buscar outras fontes, como petróleo e carvão. Até o grupo ambientalista Greenpeace, um dos mais ferrenhos opositores da tecnologia, anunciou este ano que estava revendo sua posição sobre o tema e chegou a defender a energia nuclear em substituição ao carvão.
OESP, 16/11/2006, Economia, p. B5
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