OESP, Fórum dos Leitores, p. A3
Autor: ÉBOLI, Gladis
18 de Nov de 2006
A reportagem Após 20 anos, governo vai concluir obra de Angra 3 (16/11, B5), ao citar o Greenpeace, comete um grave erro. O Greenpeace foi, é e sempre será contra usinas e armas nucleares. Aliás, a história do Greenpeace começou em 1971 com uma atividade contra a realização de testes nucleares pelos EUA nas Ilhas Aleutas, no Alasca. Em 16/11 enviamos nota à imprensa condenando essa decisão do governo brasileiro. A energia nuclear é ultrapassada e perigosa, pois expõe a população a riscos desnecessários e incalculáveis no caso de mau uso ou acidentes. As usinas são caras e sujas, produzindo lixo radioativo que permanece perigoso por milhares de anos. O Programa Nuclear Brasileiro já custou cerca de US$ 40 bilhões ao Brasil, com a construção de duas usinas nucleares, Angra 1 e Angra 2. Juntas, elas geram apenas 2% da eletricidade produzida no Brasil - algo em torno de 1.900 megawatts.
A pequena produção e o alto custo da energia nuclear inviabilizam ainda mais esta opção, que deve ser substituída por fontes renováveis, seguras e limpas, que são a grande vocação. A confusão da reportagem do Estado pode ter ocorrido porque um ex-colaborador do Greenpeace, Patrick Moore, ao sair da organização, passou a prestar consultoria paga a empresas que fornecem produtos/serviços para a indústria nuclear. Cabe ressaltar que Moore não fala em nome da organização nem faz parte dela há muitos anos. O Greenpeace, ao contrário de Moore, não aceita doações de empresas, governos e partidos políticos, como forma de manter sua independência. Nossas atividades são financiadas principalmente por pessoas físicas, pequena parte dos recursos é proveniente de licenciamento de marca e outra pequena parte vem de fundações não-corporativas.
Gladis Éboli , diretora de Comunicação do Greenpeace Brasil
gladis.eboli@br.greenpeace.org São Paulo
OESP, 18/11/2006, Fórum dos Leitores, p. A3
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