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Aneel retoma poder de decisão sobre usinas da região Norte

Valor Econômico, Brasil, p. A3
24 de Jun de 2016

Aneel retoma poder de decisão sobre usinas da região Norte

Daniel Rittner, Camila Maia e Rodrigo Polito

A Medida Provisória (MP) 735, publicada ontem, revogou uma regra criada ano passado para ajudar as grandes usinas hidrelétricas da região Norte do país a se livrarem de custos bilionários referentes à atrasos nas obras. Foi cancelada a regra que permitia que certos empreendimentos de geração ou transmissão que sofressem atraso na conclusão tivessem a prorrogação do prazo da concessão.
Temendo uma incerteza sobre os próximos leilões, o ex-ministro de Minas e Energia Eduardo Braga atuou para tirar a palavra final da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e passar para as mãos do ministério. A regra cancelada tinha sido introduzida por meio de emenda na MP 688, convertida depois de sancionada na Lei 13.203.
Com a revogação dessa regra, a decisão final voltou à Aneel. A mudança da MP 735 pode afetar, principalmente, as hidrelétricas de Belo Monte, Jirau e Santo Antonio, que registram atrasos nos cronogramas e estão sempre travando batalhas judiciais para se livrarem de multas relacionadas aos problemas na execução das obras.
O texto revogado dizia que, no caso de atraso no início da operação comercial de geração ou transmissão decorrente de "excludente de responsabilidade" do empreendedor - quando o poder concedente considera que a culpa pelo atraso não foi do empreendedor -, o prazo da concessão outorgado poderia ser prorrogado.
Com isso, as empresas poderiam receber prazo adicional aos 35 anos do contrato da concessão das usinas. Isso permitirá ao governo manter a viabilidade econômica das usinas sem transferir o custo imediato dos atrasos aos consumidores. O receio do governo era que as guerras travadas com o regulador dificultassem o sucesso de um futuro leilão da hidrelétrica de São Luiz do Tapajós, a próxima megausina do Norte.
A mudança divide opiniões. Entre os empreendedores, há muitas críticas sobre a severidade da Aneel, considerada "injusta" em algumas decisões tomadas. São frequentes as queixas de que a área técnica da agência reguladora recomendou o excludente por um determinado período e mesmo assim a diretoria decidiu não acolher. As concessionárias alegam que sofrem com problemas alheios à sua vontade, como atrasos na obtenção de licenças e greves trabalhistas.
Na contramão, a transferência da decisão final para o ministério foi apontada como uma tentativa do governo anterior de esvaziar as responsabilidades da agência reguladora.
O Valor apurou que, com a mudança, o Ministério de Minas e Energia quis fortalecer a Aneel e esvaziar o poder que os megaempreendimentos têm no governo. Fonte do ministério avaliou que "não faz sentido" a Aneel se debruçar por meses sobre o processo, dedicar o tempo de sua área técnica, e mesmo assim não ter a palavra final sobre a decisão. As megausinas estão protegidas por decisões judiciais.
Fonte próxima a uma delas, porém, disse que o governo precisará encontrar solução para o assunto no futuro.

Valor Econômico, 24/06/2016, Brasil, p. A3

http://www.valor.com.br/brasil/4612853/aneel-retoma-poder-de-decisao-so…

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