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Aneel quer disputa de estatais em Belo Monte

OESP, Economia, p. B13
18 de Jun de 2009

Aneel quer disputa de estatais em Belo Monte
Distribuir as estatais do sistema Eletrobrás entre os consórcios que disputam a usina aumentaria a competição, diz Nelson Hubner, diretor-geral da agência

Leonardo Goy

À semelhança do que ocorreu com os leilões das usinas do Rio Madeira (RO), o modelo ideal da licitação da Hidrelétrica de Belo Monte (PA) é distribuir as estatais do Sistema Eletrobrás entre os diferentes consórcios de empresas privadas que vierem a participar da disputa. A avaliação é do diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Nelson Hubner. A medida teria como principal objetivo aumentar o grau de competição da disputa.

Hubner admitiu que, em um primeiro momento, antes dos leilões das Usinas de Santo Antônio e de Jirau, no Rio Madeira, estranhou a decisão de pôr as estatais para competir umas com as outras, já que todas são subordinadas à Eletrobrás. "Mas o resultado implicou em ganhos, pois o projeto de Jirau foi aprofundado e o custo da obra, reduzido em R$ 1 bilhão", disse Hubner.

No leilão de Jirau, Furnas participou da disputa ao lado da Odebrecht e foi derrotada por outro consórcio, o Energia Sustentável do Brasil, que é liderado pela franco-belga Suez e integrado também pela estatais Eletrosul e Chesf.

O governo pretende licitar em setembro a concessão para construir e operar Belo Monte. A usina terá capacidade para gerar cerca de 11 mil megawatts (MW). Para que o leilão possa ser realizado, entretanto, é necessário que Ibama libere a licença ambiental prévia do projeto. O processo de licenciamento está travado desde o início do mês por uma liminar da Justiça Federal de Altamira, no Pará, que mandou suspender os estudos.

O Ibama apresentou apenas ontem recurso ao Tribunal Regional Federal (TRF) da primeira região, em Brasília, para tentar derrubar a liminar.

Hubner disse que o edital do leilão da Hidrelétrica de Belo Monte deverá deixar mais claro que o futuro empreendedor poderá fazer alterações no projeto, desde que sejam aprovadas pela Aneel e pelo Ibama.

A ideia é evitar questionamentos como os que foram feitos pela Odebrecht depois de perder o leilão da Usina de Jirau. A vencedora da disputa, a Energia Sustentável do Brasil, alterou em nove quilômetros o local de construção da usina em relação ao projeto básico. A mudança de local acabou sendo aprovada pelo Ibama e pela Aneel e os questionamentos terminaram.

Segundo Hubner, os editais dos leilões já feitos sempre deixaram aberta essa possibilidade. "Na verdade, eu diria que 100% dos projetos finais feitos no Brasil são diferentes dos projetos básicos", disse.

A questão de Jirau, segundo ele, é que o edital dava as coordenadas geográficas da instalação da usina, apesar de em outro ponto do texto autorizar as mudanças. "No edital de Belo Monte, poderemos, por exemplo, dizer que o projeto básico sinaliza um determinado eixo e, logo depois, dizer que pode haver mudanças, se elas forem aprovadas pela Aneel e pelo Ibama", explicou.

OESP, 18/06/2009, Economia, p. B13

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