VOLTAR

Alerta para a emissão de gases

CB, Brasil, p. 15
22 de Nov de 2007

Alerta para a emissão de gases
Greenpeace faz protesto na Praça dos Três Poderes, denunciando o governo Lula por fazer pouco para acabar com o desmatamento na Amazônia. Segundo a ONG, queimadas aumentaram 200% desde maio

Hércules Barros
Da equipe do Correio

Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva definia ontem, no Palácio do Planalto, o que o Brasil vai dizer ao mundo na Conferência da Organização das Nações Unidas sobre Clima, o Greenpeace fez um alerta: 75% das emissões brasileiras de gases que provocam o efeito estufa são decorrentes do desmatamento. De acordo com a organização ambientalista, de maio a agosto deste ano a derrubada da floresta na Amazônia aumentou em 200%.

"O Brasil não tem propostas concretas para apresentar", afirma o coordenador da Campanha Amazônia do Greenpeace, Paulo Adário. O evento mundial ocorre em duas semanas em Bali, na Indonésia, e deve reunir 189 países para debater formas de combate ao aquecimento global. Os dados divulgados pelo Greenpeace são do Sistema de Alerta de Desmatamento do Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia.

Para protestar contra a destruição da Amazônia, os ambientalistas içaram com balões, na Praça dos Três Poderes, uma urna com restos de floresta queimada. O carvão e as cinzas são, segundo a ONG ambientalista, da unidade de conservação de Itaibuna, no Pará. "O Brasil é o quarto emissor de CO² no mundo por causa do desmatamento e queimada. Se a gente é parte do problema também tem de apresentar soluções", diz Adário. Segundo o ativista, o país só perde na emissão de gás carbônico para os Estados Unidos, China e Indonésia. "O mapeamento foi feito pelo IPCC (sigla em inglês para Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU)."

Para o Ministério do Meio Ambiente, a situação da Amazônia está sob controle. Durante o 1o Simpósio da Amazônia, na Câmara dos Deputados, o secretário-executivo do ministério, João Paulo Ribeiro Capobianco, afirmou que o Brasil tem feito muito pela redução do desmatamento na maior floresta tropical do mundo. Capobianco ressaltou uma queda de 60% nos últimos anos.

O ministro extraordinário de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, disse no simpósio que existem dois equívocos no debate sobre a Amazônia: "O primeiro é o que defende a intocabilidade do bioma, como se fosse um parque para deleite internacional. O segundo é que não devem haver limites para exploração econômica (da região)". Segundo o ministro, um projeto para promover o desenvolvimento da região não deve se basear em nenhuma das visões extremas. Ele disse que o desenvolvimento de ser movido por tecnologias capazes de reduzir o impacto ambiental em setores estratégicos, como o de energia hidrelétrica e o de manejo florestal.

Críticas
Os ambientalistas reconhecem que o desmatamento vem caindo nos últimos três anos, mas dizem que o fenômeno não foi em conseqüência das ações do governo. Segundo o Greenpeace, a queda no preço da soja e da carne bovina também ajudou, além dos problemas que o agronegócio teve com a febre aftosa e a valorização do real diante do dólar. "O governo dá sinais de que não tem como combater o desmatamento sozinho", avalia Adário.

Para o professor de direito ambiental João Alfredo, o quadro atual poderia ser evitado com a legislação ambiental brasileira. Alfredo acredita que o desmatamento também cresceu em conseqüência da falta de fiscalização. "A criação do Instituto Chico Mendes retirou de dentro do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) técnicos que estavam na área de fiscalização, além de repartir recursos", observa.

No início de outubro, organizações ambientais apresentaram ao presidente Lula o Pacto Nacional pela Valorização da Floresta e pelo Fim do Desmatamento na Amazônia. A proposta inclui a adoção de metas de redução anual até que chegue ao desmatamento zero em 2015. Segundo o Greenpeace, seria necessário um investimento de R$ 5 bilhões em cinco anos para colocar as propostas em prática.

Durante o encontro no Palácio do Planalto, Lula prestou homenagem aos brasileiros que contribuíram para os trabalhos do fórum. Os agraciados fazem parte do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima da ONU, que ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 2007. Entre os homenageados estão cientistas da Universidade de São Paulo (USP) e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

CB, 22/11/2007, Brasil, p. 15

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.