OESP, Vida, p. A19
14 de Ago de 2008
115 milhões de cobaias são usadas em um ano
Segundo estudo, 83% são roedores; poucos países têm registro oficial
James Randerson, The Guardian
Cerca de 115 milhões de animais foram usados em pesquisas científicas em todo o globo em apenas um ano, segundo estimativas baseadas em dados oficiais nacionais e extrapolações a partir de documentos científicos publicados. A grande maioria foi de roedores (83,5%), enquanto primatas, gatos e cães foram utilizados em porcentagens menores - 0,15%, 0,06% e 0,24%, respectivamente.
A estimativa foi realizada conjuntamente pela British Union for the Abolition of Vivisection (grupo britânico que luta pela abolição total de pesquisas com animais) e pela Fundação Dr. Hawden para Pesquisa Humana. Os resultados foram publicados na revista Alternatives to Laboratory Animals.
A compilação desses 115 milhões foi difícil porque os critérios de registro diferem muito de país para país. Apenas 37 tinham dados nacionais, ainda que parciais, em 2005. Nos outros 142, os pesquisadores precisaram se basear em dados de publicações sobre animais que saíram em 2006.
"É chocante como são poucos os países que acham importante contar o número de animais sofrendo nos laboratórios", afirmaram as entidades. "É impossível chegar a um debate claro e honesto sobre o papel dos experimentos com animais no século 21 quando o número oficial é vergonhosamente subestimado."
NO ESCURO
O grupo afirma que as estimativas finais seriam maiores quando adicionados animais não relacionados nos dados britânicos, como aqueles gerados numa cria excessiva e que não são usados em pesquisa, e animais que são mortos para que seus órgãos ou sangue sejam usados em pesquisas.
Na Grã-Bretanha, os pesquisadores precisam registrar o número de animais que utilizam, o total de procedimentos que realizam e o número de crias de animais usadas em reprodução transgênica.
Mas nos Estados Unidos, onde mais se utilizam animais em pesquisa - são mais de 17 milhões, segundo estimativa dos pesquisadores -, os números oficiais não abrangem ratos, ratazanas, pássaros, peixes, répteis e anfíbios.
Muitos países nem mantêm registros a respeito. Liechtenstein e a república de San Marino são os únicos lugares do mundo em que a pesquisa com animais é totalmente proibida.
No Brasil, lei de proteção ainda está no Congresso
Cristina Amorim
No País, um projeto de lei que estabelece critérios para a utilização de animais em pesquisa recebeu sinal verde da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado na semana passada. O texto fora aprovado em maio pela Câmara. A intenção é poupar as cobaias de dor e sofrimento em experimentos de cunho científico ou educacional e criar o Conselho Nacional de Experimentação Animal, para regular e monitorar a atividade. O PL será analisado pelas comissões de Educação e de Ciência e Tecnologia.
O presidente da Sociedade Brasileira de Biofísica, Marcelo Morales, avalia que o projeto passará pelo Congresso sem dificuldade. "Foi aprovado na comissão na íntegra", observa. "Essa lei realmente protegerá os animais e aqueles que não seguirem as regras serão notificados. O País é o 15.o em produção científica no mundo e é consenso que precisamos de uma lei que proteja os animais."
OESP, 14/08/2008, Vida, p. A19
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.