CB, Mundo, p. 20
21 de Dez de 2005
Um índio às portas do palácio
Até se tornar presidente eleito, Evo Morales era como a maioria dos bolivianos. Indígena da etnia aimará, estudou até o nível médio e, sobretudo, nunca deixou de ser pobre. Sua origem está retratada na casa onde vive até hoje, em Cochabamba, no populoso bairro de Villa Exaltación: são dois ambientes, com um pátio no centro e uma árvore, perfazendo uma área de 20 metros quadrados que ele, solteiro, divide com 400 livros e um casal de inquilinos.
Entre as escolhas que terá de fazer até a posse, marcada para 22 de janeiro, uma das mais íntimas é justamente sobre moradia: Evo diz que ainda não decidiu se vai se mudar para a luxuosa residência oficial, no bairro nobre de San Jorge, ou se continuará no acanhado apartamento que divide com companheiros cocaleiros de Chapare, em frente à antiga estação de trens de La Paz. O único bem do futuro presidente é um quarto de 32 metros quadrados, erguido com tijolos e palha, a alguns quilômetros do Lago Poppó, em seu povoado natal de Isayavi, na região andina de Orinoca - imóvel que ele e os irmãos Esther e Hugo herdarão da mãe, Maria Ayma de Morales.
Evo, de 46 anos, já foi bem mais esguio na juventude, quando chamava atenção com seu 1,76 de altura. Mas continua trazendo a origem indígena estampada na pele morena, nos cabelos negros e lisos e no nariz adunco. Nas primeiras entrevistas como vencedor das eleições, o líder cocaleiro garantiu que continuará a defender "os massacrados, os necessitados, os desprezados de sempre". Mas terá, ao menos, de trocar o jeans, a camisa xadrez e os tênis pelos ternos, que vestiu em umas poucas ocasiões: aos 13 anos, quando visitou uma cidade pela primeira vez, e quando se formou no colégio, anos depois.
CB, 21/12/2005, Mundo, p. 20
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