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Um delicado problema

FSP, Opinião, p. A2
Autor: MORAES, Antônio Ermírio de
06 de mai de 2007

Um delicado problema

Antônio Ermírio de Moraes

A Bolívia e a Venezuela transformaram a questão energética em um caloroso debate político.
Nos anos 70, a Opep usou e abusou da mesma estratégia. Hoje, a Rússia também pressiona de forma brutal os países consumidores do seu gás, em especial os do Leste Europeu. Tudo indica que essa nova modalidade de "Guerra Fria" vai continuar por muito tempo.
O que não se esperava era ver em pleno século 21 governos eleitos pelo voto popular presumivelmente democráticos passando por cima do direito de propriedade, nacionalizando fontes de energia e confiscando receitas de empresas legalmente constituídas, como é o caso das unidades da Petrobras na Bolívia.
Depois de enormes investimentos realizados naquele país e da construção de um gigantesco gasoduto, o Brasil recebe, como troco, uma intervenção atrás da outra. A situação é séria. Fala-se até no confisco do capital de giro da Petrobras e na estatização das suas refinarias a preço de banana.
Mais grave, porém, é enfrentar um eventual desabastecimento de gás no Brasil, fato que pode ocorrer a qualquer instante, sem aviso prévio e nos momentos mais críticos como, por exemplo, quando se precisar daquele energético para tocar as usinas termelétricas.
Não há o que esconder. Precisamos ampliar muito a nossa capacidade energética. O Brasil pode ter o seu crescimento severamente comprometido se não investir rapidamente nesse campo.
Infelizmente, os investimentos têm sido pífios quando comparados com as necessidades do país. As obras, que normalmente são demoradas para serem desenvolvidas, sofrem entraves adicionais antes do seu início, na fase de obtenção das licenças ambientais. Até hoje nossas autoridades não entenderam ser possível crescer preservando o planeta.
Não há nada de contraditório entre crescimento e ambiente. O Brasil possui inúmeros exemplos de empresas que reconstruíram a natureza durante e depois de erguidas as usinas elétricas. Não entendo por que tanta celeuma a respeito de falsos conflitos que podem ser perfeitamente acomodados.
Será que as recentes medidas burocráticas na área ambiental vão resolver essa falta de entendimento? Não seria melhor discutir-se abertamente as diferenças, sem ideologias e sob a liderança firme de um governante que sabe não ser possível crescer mais de 4% com a atual oferta de energia?

antonio.ermirio@antonioermirio.com.br
Antônio Ermírio de Moraes escreve aos domingos nesta coluna.

FSP, 06/05/2007, Opinião, p. A2

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