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Tribo isolada vira atração turística ilegal na fronteira do Peru com Brasil

Uol- http://noticias.uol.com.br
01 de set de 2014

Ativistas pelos direitos dos indígenas denunciam que há guias ilegais levando turistas para áreas onde vivem tribos indígenas isoladas na Bacia Amazônica, próximo à fronteira entre o Brasil e o Peru. Representantes da Fenamad (Federação Nativa Nacional do Rio Madre de Dios e Afluentes) estão muito preocupados com relatos de encontros recentes entre turistas e indígenas da tribo mashco-piro, que vivem isolados na região de Madre de Dios, em uma área de floresta densa, no Peru, perto da fronteira com o Brasil. Os ativistas pedem a intervenção do governo peruano para cessar as visitas.

Em seu comunicado, a federação relata que os turistas deixam até objetos, como roupas, nas margens do rio para os membros da tribo. "É hora de o governo peruano colocar as palavras em ação, em vez de realizar reuniões intermináveis sobre elaboração de protocolos e políticas", disse Klaus Quicque, presidente da entidade, no texto.

A Survival International começou a investigar a questão de possíveis "safaris humanos" ao longo do rio Madre de Dios há dois anos. Disfarçados de turistas, os ativistas contataram vários operadores turísticos e questionaram sobre a possibilidade de fazerem o passeio no território dos mashco-piro. Eles descobriram que o contato com a tribo isolada, em muitos dos casos, já faz parte do pacote turístico oferecido.

"Isso tem acontecido com cada vez mais frequência," afirma Rebecca Spooner, peruana ativista da Survival International. O que mais preocupa as organizações é o fato de povos isolados serem bastante vulneráveis a doenças. "Os mashco-piro são uma tribo isolada e são extremamente vulneráveis porque não têm resistência a doenças comuns (como a gripe)", diz a ativista.

Os mashco-piro vivem isolados por escolha própria, assim como a maioria dos povos chamados "não contatados". Eles são conscientes do mundo exterior e, inclusive, mantêm laços com tribos vizinhas, mas escolheram viver em relativo isolamento. Os primeiros registros da existência dos mashco-piro datam da década de 1970. Mesmo após contato de missionários e outros visitantes, eles permaneceram isolados, embora sejam vistos com cada vez mais frequência às margens de rios.

Além disso, a reserva de Madre de Dios havia sido delimitada para cobrir uma área de 20 mil quilômetros quadrados na proposta original, de maneira a preservar o habitat dos indígenas. Hoje, ela abrange apenas 7.700 mil quilômetros quadrados. As entidades lutam para que o governo peruano não apenas reforce a fiscalização sobre os operadores turísticos, como também invista mais no fortalecimento das equipes dos postos de guarda e amplie a área protegida.

http://noticias.uol.com.br/meio-ambiente/ultimas-noticias/redacao/2014/…

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