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Treze sítios arqueológicos em Manaus serão impactados pelo Linhão de Tucuruí

A Crítica - http://acritica.uol.com.br/
Autor: Elaíze Farias
07 de out de 2011

O Linhão do Tucuruí vai impactar pelo menos 13 sítios arqueológicos identificados em 2011 por pesquisadores no entorno da Reserva Florestal Adolfo Ducke, na zona norte de Manaus.

Em 30 quilômetros do entorno da reserva, foram encontrados pedaços de objetos cerâmicos derivados de vasos e cerâmicas das populações que viviam em Manaus antes da chegada do europeu, além de material lítico. Alguns dos cacos demonstram traços extremamente elaborados.

O arqueólogo Bruno Moraes, responsável por um grupo composto por 20 profissionais que fez o levantamento, disse os sítios estudados começam no bairro Jorge Teixeira, na zona Leste, e vai até uma trecho da Reserva Ducke, como o jardim botânico também é conhecido, na zona Norte.

"São áreas de antigas atividades indígenas, onde se faziam muitos instrumentos. Encontramos oficinas líticas para fabricação de objetos cerâmicos, mas ainda será preciso datar o material", explicou.

O trabalho de Bruno e outros arqueólogos compõe uma das etapas para que o empreendimento tenha direito ao licenciamento ambiental. Obras como o Linhão de Tucuruí são obrigadas a realizar este tipo de trabalho arqueológico.

Prevenção

Haverá ainda uma segunda etapa, sem data para ser iniciada, para escavações da área e coleta de mais amostras e viabilizar uma coleção das peças.

Esse tipo de salvamento é descrito como "arqueologia preventiva", atividade que consta na portaria federal 230, que regulamenta os licenciamentos arqueológicos de grande e médio porte.

Bruno Moraes admite que a passagem do linhão de Tucuruí vai impactar grandemente os sítios arqueológicos, mas que o estudo prévio vai minimizar estes impactos.

"Quando se destrói um sítio, a gama de informação é perdida. Estes sítios são importantes para a gente entender mais ainda o período pré-colonial na Amazônia", explicou.

As peças já retiradas dos sítios arqueológicos foram enviados para o laboratório mantido em Manaus pelo Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da Universidade de São Paulo.

O Linhão de Tucuruí vai integrar o sistema elétrico das regiões de Manaus, Macapá e municípios à margem do rio Amazonas. Ele será composto por sete linhas de transmissão. O empreendimento vai ampliar a capacidade de geração de energia no Estado do Amazonas.

Riqueza

De acordo com a também arqueóloga Helena Lima, Manaus já possui aproximadamente 10 sítios cadastrados no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), sem falar dos ainda não cadastrados e desconhecidos.

Somente na zona Leste, há dois importantes sítios, o das Lajes e o Taisaku Ikeda, ambos próximos um do outro, localizado no bairro Colônia Antônio Aleixo.

Nestas sítios, é possível encontrar peças arqueológicas de diferentes categorias, desde peças cerâmicas, a urnas inteiras, muitas delas com apenas a circunferência dos objetos aparecendo na superfície, a gravuras rupestres.

Há ainda outro importante sítio localizado no bairro Nova Cidade. Os responsáveis pelp conjunto habitacional, contudo, não realizaram salvamento de peças na época de sua construção, mais de 10 anos atrás. Há apenas um terreno marcado pelo Iphan, onde muitas das peças já desapareceram.

População

No sítio Taisaku Ikeda, já foram localizados pelo menos um grande vaso que foi retirado e enviado para o Museu Amazônico, mantido pela Universidade do Amazonas.

No mês passado, um vaso que permanece enterrado foi identificado dentro do Centro de Projetos e Estudos Ambientais do Amazonas (Cepam). Akira Tanaka, gerente do Cepeam, disse que pretende chamar um arqueólogo para retirar o vaso e entregar ao Iphan ou ao Museu Amazônico.

Conforme Helena Lima, a presença destas peças e gravuras reforça o estudo de que Manaus foi densamente ocupada antes do período colonial.

Segundo a arqueóloga, tanto as peças quanto as gravuras podem ser de diferentes épocas, abrangendo um período que vai do século oitavo para trás. As gravuras rupestres, acredita-se que tenha entre 2 e 7 mil anos.

Ano passado, moradores e ambientalistas identificaram, por acaso, gravuras rupestres desconhecidas até então, na área do pedral na margem do rio Negro, próximo ao encontro das águas. As gravuras, ainda não estudadas, possuem entre 2 e 7 mil gravuras, segundo arqueólogos que visitaram a área na época.

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