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29 de Mar de 2015
Surpresa boa: Fernando Meirelles participa de debate no Sesc
Fernando Meirelles pegou de surpresa até mesmo os funcionários do Sesc em sua visita inesperada para o debate sobre o documentário A lei da água, exibido na última quarta-feira na unidade de Sorocaba. Meirelles, que trabalhou na produção executiva do filme, veio substituir o diretor André D"Élia, que foi chamado de última hora para receber, em nome de toda equipe, o prêmio de melhor filme pelo público na Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental, em São Paulo. A produção tem como objetivo mostrar a importância das florestas para a conservação dos recursos hídricos no Brasil e esclarecer sobre o impacto do novo Código Florestal (aprovado pelo Congresso em 2012) no ecossistema e na vida dos brasileiros. "Eu vim tapar buraco. Quem entende mesmo do assunto é ele. Mas fico feliz em poder participar porque o filme está cumprindo lindamente o seu papel, de discussão sobre o tema", comentou Meirelles. Os convidados não acharam nada ruim.
O filme está sendo exibido em cine-debates espalhados pelo Brasil e chega aos cinemas no dia 30 de março, graças a uma campanha de crowdfunding no Catarse. A produção, que esclarece a ligação entre o novo Código e a crise hídrica brasileira, é uma parceria do Instituto Socioambiental (ISA), WWF-Brasil, Fundação SOS Mata Atlântica, Associação Bem-Te-Vi Diversidade e Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS).
Produzido ao longo de 16 meses, a obra baseia-se em pesquisas e 37 entrevistas entre agricultores e especialistas no tema. Conta ainda com a colaboração de cientistas e parlamentares que apoiam a Ação Direta de Inconstitucionalidade do novo Código Florestal no Supremo Tribunal Federal.
"A crise hídrica estava prevista há muito tempo"
Diretor premiado de filmes como Cidade de Deus, Ensaio sobre a cegueira e até de longa-metragem internacional como O jardineiro fiel, Fernando Meirelles já foi inclusive indicado ao Oscar de melhor diretor, em 2004. Assinando a produção executiva do documentário A lei da água, Meirelles falou com exclusividade para o jornal Cruzeiro do Sul, e comentou os bastidores do filme e a importância de discutir o assunto.
- O documentário foi feito antes da atual crise hídrica. Já estavam prevendo algo?
Essa crise hídrica está prevista há muito tempo. Mas o foco principal do documentário, que começou a ser produzido em 2013, nem era a crise. Era sobre o Código Florestal. A medida que o André (diretor) começou a entrar no assunto, foi descobrindo que o grande ponto era a água.
- Como foi trabalhada a divulgação do filme?
No contrato desse filme ninguém tem lucro. Todo dinheiro que o documentário eventualmente vier a gerar, é para divulgar o próprio filme. Como também não foi beneficiado por nenhuma lei de incentivo, existe duas pessoas responsáveis para correr atrás do financiamento coletivo. Dessa forma, qualquer pessoa pode entrar no site do filme e pedir um cine-debate. Já temos 250. Isso é muito legal porque leva o filme para aquele público interessado no tema específico. Além disso, a gente resolveu colocar em algumas salas de cinemas. Como é um filme muito específico, os donos do cinema pediram garantia de público. Então a gente colocou o ingresso à venda no Catarse, e cada vez que fecha uma sessão, a gente exibe. Temos 11 sessões fechadas.
- Você é reconhecido internacionalmente como um grande diretor. Como é fazer a parte burocrática de produtor executivo?
O diretor é o cara que constrói toda a estrutura. O produtor viabiliza. Sem produtor não há filme. Eu nem faço muito a burocracia, tem uma equipe na produtora responsável por isso. Mas eu que recebo os convites, procuro diretor, ajudo a procurar dinheiro, ajudo a estruturar a filmagem para que aquele dinheiro dê certo. Gosto muito também, principalmente porque estou muito envolvido com o tema. Mas eu prefiro dirigir, muito mais, sem dúvida.
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