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Seguidores do Santo Daime reflorestam parte da reserva Mapiá-Inauini, no Amazonas

Agência Brasil - www.agenciabrasil.gov.br
Autor: Thaís Brianezi
14 de jul de 2008

Manaus - Nos últimos dez anos, o que era um grande pasto de uma fazenda que fica dentro da Floresta Nacional do Mapiá-Inauini, no Amazonas, foi se transformando em floresta de novo. "A gente fez um reflorestamento demonstrativo e construiu uma fábrica de beneficiamento de banana em passa. Nossa banana era vendida até em Santa Catarina, conhecida no Brasil todo. Hoje a produção está parada porque os fornos de secagem estão sendo reformados", conta José Antônio Camilo, um dos 45 membros da Associação de Produtores Rurais da Boca do Igarapé do Mapiá e também agente de saúde da comunidade, em entrevista ao programa Ponto de Encontro da Rádio Nacional (Amazônia).

O projeto de reflorestamento teve o apoio Programa Piloto para a Proteção das Florestas Tropicais do Brasil, financiado com verba da cooperação internacional e coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente.

Os produtores da banana-passa do Mapiá são seguidores da doutrina do Santo Daime. E as cerca de 150 famílias que pertencem à comunidade vivem na floresta do Mapiá-Inauini. A origem da comunidade remonta a 1912, quando o maranhense Irineu Serra mudou-se para o Acre para trabalhar como soldado da borracha. Na fronteira com o Peru e a Bolívia, ele conheceu o chá preparado com o arbusto chacrona (a "rainha") e o cipó jagube, uma bebida alucinógena consumida por descendentes do Império Inca. Da mistura desse ritual indígena com o cristianismo nasceu a doutrina do Santo Daime, que tem como valores a "harmonia, amor, verdade e justiça".

Em 1980, o padre Sebastião Mota Melo, seguidor do mestre Irineu no Acre, fundou em Boca do Acre, no Amazonas, a Colônia dos Cinco. Três anos depois, por orientação do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), já que a área ocupada era particular, o grupo de cerca de 300 pessoas se mudou para a região do igarapé do Mapiá.

O terreno ocupado pela comunidade se tornou em 1989 parte da floresta nacional que tem 311 mil hectares. E este ano, por meio de um convênio com o Ibama, o Incra reconheceu a reserva como projeto de assentamento e os moradores deverão receber créditos no valor de R$ 7.400 por família em março.

"A doutrina é a linha direta de toda a história. Se não houvesse doutrina, não haveria as pessoas juntas. Se não tivesse esse grupo de pessoas, não teria associação. E se não tivesse associação, a gente não teria ajuda governamental", argumentou Camilo, que se mudou para a região há 28 anos, atraído pelo Santo Daime.

Um dos objetivos do Programa Piloto para a Proteção das Florestas Tropicais do Brasil é promover o aprendizado sobre novos modelos de preservação, conservação e utilização racional dos recursos naturais da Amazônia e Mata Atlântica, buscando a melhoria da qualidade de vida da população local. Desde seu início, em 1995, o programa apoiou 194 projetos - um deles foi o do reflorestamento e a construção da fábrica de banana-passa na boca do igarapé do Mapiá, que teve valor de R$ 20 mil e foi executado entre 1995 e 1998.

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