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Ruralistas dominam comissão de MP do Código

OESP, Vida, p. A16
06 de Jun de 2012

Ruralistas dominam comissão de MP do Código
Maioria dos deputados votou para derrubar texto do Senado que Dilma reintroduziu por MP; no de emendas chega a 700

EDUARDO BRESCIANI / BRASÍLIA

O Congresso Nacional instalou ontem a comissão mista da medida provisória que trata do novo Código Florestal com uma composição fortemente ruralista. Apesar da instalação, a expectativa é de que o relatório da proposta só seja apresentado pelo senador Luiz Henrique (PMDB-SC) depois da Rio+20, conferência da ONU que debaterá o desenvolvimento sustentável entre 13 e 22 de junho. A proposta recebeu cerca de 700 emendas.
Deputados da bancada ruralista mostraram força na instalação dos trabalhos. Eles atrasaram por quase uma hora o início da reunião até obter do relator o compromisso de só começar a discutir o cronograma de votação na próxima terça-feira, dia 12. O objetivo é justamente fazer o debate sobre o tema polêmico sem a pressão do evento internacional.
Um dos raros ambientalistas da comissão, o deputado Sarney Filho (PV-MA) criticou a composição. Ele responsabilizou os líderes pela prevalência ruralista na comissão e disse que somente uma atuação forte do governo pode evitar que o Congresso piore o projeto.
"A responsabilidade é dos líderes partidários que não tiveram a capacidade de indicar pessoas moderadas. Agora o governo vai ter de assumir sua posição, caso contrário o retrocesso está garantido", disse Sarney Filho.
Dos 13 deputados titulares na comissão, 10 votaram para derrubar o texto do Senado sobre o Código, que é basicamente o que a presidente reintroduziu por MP. No Senado, pelo menos 7 dos 13 membros são membros da Frente Parlamentar Agropecuária.
Derrota. A composição da comissão acendeu o sinal de alerta no Planalto. A presidente interina da Câmara dos Deputados, Rose de Freitas (PMDB-ES), disse que o governo "poderá voltar a ser derrotado" pelos deputados, caso não abra negociação em relação à MP do Código.
A deputada se refere particularmente ao trecho da MP que trata do escalonamento das áreas de preservação ambiental, as APPs, que prevê que os produtores rurais terão de recompor entre 5 e 100 metros de vegetação nativa das APPs nas margens dos rios, dependendo do tamanho da propriedade e da largura dos rios que cortam os imóveis rurais.
A ministra Izabella Teixeira, do Meio Ambiente, disse que o governo está aberto ao diálogo. "Nós entendemos que a proposta feita acolhe tanto a questão social, quanto a questão da produtividade, da proteção econômica na agricultura e da proteção do meio ambiente."

OESP, 06/06/2012, Vida, p. A16

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