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15 de Abr de 2010
O respeito às tradições e à história é capaz de resgatar um precioso legado cultural para a civilização moderna. A pesquisa e o conhecimento são a chave da construção de um mundo onde as diferenças possam ser compreendidas e transformadas em mote de uma relação mais rica entre as culturas, propiciando uma convivência harmônica e edificante.
A questão indígena sempre foi um problema em todas as civilizações que se defrontaram com a dificuldade de harmonizar a ocupação territorial com o direito de propriedade de seus habitantes originais. A história mostra um rastro de violência e intervenção predatória que praticamente sufocou as culturas nativas, com uma carga de preconceito e supremacia imposta pela força, muitas vezes sem o devido cuidado de promover a aculturação gradativa que assegurasse o direito de todos.
Em todo o mundo, as nações primitivas foram dizimadas por invasores que abriram o caminho das terras e das riquezas pelo fio da espada, deixando uma minoria de índios como relicário cultural e testemunhas de um tempo em que a propriedade e a delimitação de áreas se dava em função de sua ocupação sustentável em torno de etnias, tradição e gerações seguidas que preservavam o direito natural pela vida simples arraigada ao espaço físico.
No Brasil, o Marechal Rondon e os irmãos Villas Bôas são o símbolo da conquista humanista dos territórios ocupados pelas tribos indígenas. Com sua índole pacifista, rasgaram os sertões adentro, aproximando-se pela palavra, pelo abraço, pelo entendimento. Sem violência, foram identificando as várias etnias, relacionando sua cultura, introduzindo o mundo moderno na rotina dos indígenas, avançando no sentido de uma política de respeito e conciliação. Os resultados positivos se podem medir até hoje, quando faltam políticas consistentes de administração dos interesses exploratórios nas reservas legais, e a consciência da sociedade ainda gatinha na contextualização das nações indígenas no Brasil que precisa ser ocupado.
Ao par disso, é preciso que a cultura indígena seja desencaixotada e ocupe espaços de museus e espaços públicos, tornando-se referência constante para os jovens, que podem crescer em conhecimento de seus ancestrais e estabelecer uma relação de respeito e igualdade com os irmãos naturais. Somente assim o legado de Rondon e Villas Bôas terá valido a pena.
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