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Reserva Extrativista Rio Ouro Preto na Região de Guajará-Mirim receberam R$ 1,5 milhão em créditos

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16 de abr de 2007

As 176 famílias que moram nas dez comunidades da Reserva Extrativista Rio Ouro Preto, na região de Guajará-Mirim, receberam R$ 1,021 milhão em créditos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e R$ 426 mil em crédito Instalação, desde 2004, após o seu reconhecimento como beneficiária do programa da reforma agrária. De acordo com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), estão programados R$ 370 mil para este ano.

O Crédito Instalação possui as modalidades "Apoio Inicial", no valor por família de R$ 2,4 mil e "Habitação", R$ 5 mil. O Pronaf é utilizado em equipamentos, motores, plantios e criação de pequenos animais, a partir de projetos desenvolvidos em conjunto com a equipe do Programa de Assessoria Técnica, Social e Ambiental à Reforma Agrária (Ates) do Incra.

A moradora da resex, na comunidade do Pompeu, Maria Batista de Souza, está há 10 anos no seu sítio e afirma que com os créditos sua renda passou de R$ 800,00 por mês para R$ 1.800,00. "Antes era tudo manual. Aí comprei roçadeira, motor para cevar a mandioca, grupo gerador para limpar as sementes, ficou tudo mais fácil", disse.

Um morador que garante ter tido um incremento de 60% na renda familiar foi Manoel de Oliveira Lima, da mesma comunidade. Ele assegura que a vida é muito melhor ali. "Nossa vida melhorou muito, não carrego mais farinha nas costas. Temos maquinário, motor para secar mandioca e carroça".

As condições de vida na resex contam de maneira especial com a iniciativa dos próprios moradores para sua melhoria, através do associativismo, que tem o apoio de diversas instituições como Incra, Ibama, universidades, associações e ONGs.

Na comunidade Nossa Senhora dos Seringueiros, dez famílias se uniram e com o projeto das universidades federais de Rondônia e do Amazonas, inauguram em maio uma usina de beneficiamento do óleo de babaçu, com aproveitamento dos seus derivados para carvão, sabonete, mesocarpo e biojóias. Para isso, vêem participando de capacitações que têm também a ajuda da Associação dos
Seringueiros e Agro-extrativistas do Baixo Rio Ouro Preto.

Com a participação no programa da reforma agrária, outros benefícios indiretos chegaram às comunidades. Napoleão Rodrigues, 59 anos, que também participa do projeto da usina, faz sua avaliação: "Se for ver mesmo, esse programa melhorou muito minha vida e por tudo. Antes eu trabalhava mais e com a idade posso trabalhar menos e produzir igual".

Alice Cruz, moradora do Ramal do Seringueiro, outra comunidade da resex, conta: "Foi tão bom esse crédito que agora até a família pode morar toda junta". Antes, com as precárias condições, só o marido morava no lote. A família construiu a casa, produz farinha para vender na cidade e planta arroz, feijão, café e banana para a subsistência.

O presidente da Associação, Ademir de Melo Uchôa, analisa que a resex melhorou cerca de 100% desde 2004, o que possibilitou à associação trabalhar mais intensamente com as famílias em pequenos projetos produtivos como apicultura e viveiros. Para ele, a comunidade ganhou com a sustentabilidade da reserva e a permanência dos seus habitantes tradicionais.

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