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Reconstrução da BR-319 está inacabada por falta de licença

OESP, Especial, p. H7
03 de Dez de 2009

Reconstrução da BR-319 está inacabada por falta de licença

Porto Velho

Mais um investimento do governo federal na região, a reconstrução da BR-319 é uma saga que se arrasta há anos. A rodovia federal é parcialmente recuperada, mas, a maior e mais difícil parte da estrada, ainda tem indefinido seu futuro. A questão não está só na devastação provocada pela obra em si, já que a BR-319 já foi aberta e pavimentada, ainda na década de 1970. Mas hoje mais de 400, dos seus 890 km, são intransitáveis. O investimento previsto para a obra de recuperação até 2010 é de R$ 600 milhões.

A reforma da estrada está paralisada por falta de licença ambiental, apesar de figurar na lista das obras do PAC que estão em execução no tempo previsto. Wanderley Pereira, que nasceu em Manaus, fez uma das últimas viagens entre a cidade amazonense e a capital de Rondônia, há 20 anos. Hoje com 27, ele vê na reabertura da rodovia mais uma oportunidade para o crescimento e integração da região, mas, com cautela.

É justamente esse cuidado, fiado pelo Ministério do Meio Ambiente, que tenta barrar o possível desmatamento da região vizinha à estrada. O governo prevê a instalação de parques e reservas ao longo do caminho. Essas unidades de conservação (parques) seriam uma garantia de que o tráfego de pessoas, veículos e mercadorias não dê origem a pequenos núcleos de colonização, que, ao longo da história, têm se mostrado como primeiro passo para a derrubada da floresta em troca de sustento e espaço para ampliar pastos e plantações.

Além de tirar Manaus do isolamento, por ser sua única ligação rodoviária com o Centro-Sul do país, a rodovia se agregaria a outras grandes possibilidades de desenvolvimento econômico para a região, como as usinas hidrelétricas do rio Madeira, a rodovia Interoceânica e o gasoduto Coari-Manaus.

Acadêmicos, especialistas em questões amazônicas, redigiram uma carta ao presidente Lula em uma conferência na Universidade de Chicago. Eles pedem o cancelamento da reconstrução da rodovia BR-319. Para eles, não há justificativa a ligação entre Rondônia, estado brasileiro que mais desmata, e o coração da floresta, passando, justamente pela área mais preservada da floresta.

OESP, 03/12/2009, Especial, p. H7

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