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Projetos de irrigacao do Ceara atraem investidores

GM, Rede Gazeta do Brasil, p. A1 e B13 e B16
23 de mar de 2004

Ceará quer atrair R$ 600 milhões para irrigação

Fortaleza, 23 de Março de 2004 - O governo do Ceará negocia com a iniciativa privada investimentos de R$ 600 milhões no agronegócio do estado nos próximos três anos. Os recursos são atraídos pelos projetos regionais de irrigação em que o estado está aplicando R$ 800 milhões. Entre os investidores estão exportadores de banana equatorianos e até produtores de aspargos. Os planos serão apresentados no Irriga Ceará, encontro estadual do agronegócio que começa hoje. p. B1

Projetos de irrigação do Ceará atraem investidores

O estado deve receber aporte de recursos de R$ 600 milhões até 2006, referentes a investimentos da iniciativa privada. O agronegócio do Ceará deve receber aporte de recursos da ordem de US$ 220 milhões ou o equivalente a R$ 600 milhões, investimentos da iniciativa privada, aplicados até 2006. "Há bons projetos em negociação", diz o secretário da Agricultura e Pecuária do Estado (Seagri) Carlos Matos Lima, de olho na possibilidade de cultivo de aspargos. Estudos mostram que o Ceará tem na região da Ibiapaba, clima e solo semelhantes ao Peru considerado um grande exportador de produto para Europa e Estados Unidos, com negócios avaliados em US$ 200 milhões. "Se conseguirmos 10% desse valor, serão US$ 20 milhões por ano", diz o secretário. A estratégia de incremento dos negócios, envolve, além da diversificação, o aumento da produção de banana, mamão, abacaxi, uva, manga, por exemplo, focadas na exportação.

Newton Crispino Leite Filho, presidente do Instituto Agropólos, observa que o Ceará tem vantagens comparativas para apostar firme na fruticultura. No caso específico da banana, vê boas perspectivas de investimentos. "O quarto maior exportador de bananas do Equador procura área de cultivo no estado e pretende iniciar o projeto ainda este ano", afirma. Pelas contas de Crispino, o investimento em um hectare de banana gira em torno de US$ 12 mil por hectare. Para um módulo de mil hectares, os recursos ficariam em torno de US$ 12 milhões. "Normalmente grandes empresários procuram trabalhar integrados com pequenos produtores da região, o que significa possibilidades de emprego e renda e a inclusão desses agricultores no mercado internacional, além da transferência de tecnologia", acrescenta. Entre as propostas em carteira figuram investimentos de R$ 2 milhões a R$ 60 milhões.

Infrae-estrutura

Nos últimos três anos, o estado recebeu recursos privados da ordem de US$ 83 milhões (R$ 248,5 milhões). Matos afirma que os resultados contam com o reforço em infra-estrutura, caso do Porto do Pecém, em São Gonçalo do Amarante - 63 quilômetros de Fortaleza -, corredor de exportação de frutas, rodovias e o reordenamento territorial por meio dos 18 agropólos, com 7 unidades de desenvolvimento. Crispino diz que o sistema de organização por regiões e produtos afins, permitiu avanços consideráveis à agricultura. "Hoje, mesmo em diferentes estágios, todos os pólos estão produzindo", afirma Crispino, que estima concentrar 2,5 mil pequenos agricultores no projeto. Este ano, o setor deve incluir o abacaxi - cultivado nos agropólos do Baixo Jaguaribe e Baixo Acaraú -, na pauta de exportações. O instituto trabalha no fomento de negócios, captação de investimentos, apoio à comercialização, no suporte tecnológico e organização de alianças produtivas. "O modelo de agropólos, implementado no Ceará, começa a ser visto como alternativa também para outras regiões. Isso mostra que estamos no caminho certo", comemora Carlos Matos.

O estado tem 60 mil hectares de área irrigada e potencial para 150 mil hectares, confirma o secretário. A agricultura de sequeiro ocupa 760 mil hectares e deve chegar a 980 mil hectares neste ano.

A Seagri dá apoio técnico, estímulo à comercialização e capacita pequenos produtores. "Vamos estimular atividades viáveis", diz o secretário, ao assinalar que estão previstos para os próximos três anos investimentos públicos de R$ 800 milhões em irrigação. "O estado gasta R$ 70 milhões por ano no custeio da agricultura. O montante contempla ações e projetos do Instituto de Desenvolvimento Agrário do Ceará (Idace), Centrais de Abastecimento do Ceará (Ceasa), Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (Ematerce) e do Instituto Agropólos", revela o secretário.

Dividendos

Na prática, avalia Matos, as ações implementadas renderam bons dividendos. O valor bruto da produção agropecuária do Ceará atingiu R$ 3 bilhões ano passado, diante dos R$ 2,29 bilhões de 2002. A lavoura representou R$ 1,34 bilhão do global, quando no exercício anterior correspondeu a R$ 995 milhões. O estado colheu em 2003 safra recorde de 1,08 milhões de toneladas de grãos e esse volume deverá ser superado em 10%. O milho, que representa a 67% da safra, registrou crescimento de 50% na renda. A Seagri calcula exportar este ano US$ 30,400 milhões em frutas frescas, diante dos US$ 21,561 milhões de 2003 - que representou cerca de 6,5% das exportações brasileiras -, crescimento de 41%. A meta estadual de exportações de frutas frescas até 2010 chega a US$ 130 milhões, cerca de 13,5% do total - o Brasil deverá exportar no mesmo intervalo US$ 1 bilhão em frutas frescas. De 1999 até agora o Brasil ampliou suas exportações de frutas em 53% enquanto Ceará aumentou 914%, informa a Seagri. O setor de fruticultura do estado exportou no ano passado US$ 131,508 milhões, sendo US$ 109,947 milhões em amêndoas de castanha de caju. O total brasileiro somou US$ 504,914 milhões - US$ 143,760 milhões de castanha de caju, conforme dados do Centro Internacional de Negócios da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Cin/Fiec).

Irriga Ceará

Os avanços do setor no Ceará podem ser conferidos nesta semana na terceira edição do Irriga Ceará 2004 - Encontro Estadual do Agronegócio , com tema central "''Tecnologia e conhecimento fazendo uma agricultura forte"'', que será realizado até dia 25, no Centro de Convenções Edson Queiroz, em Fortaleza. Na abertura do encontro, que reúne produtores rurais, empresários, técnicos e especialistas, marcada para 10 horas de hoje, estarão presentes o governador Lúcio Alcântara e o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Roberto Rodrigues. "O Irriga Ceará representa a nova fase do desenvolvimento agrícola do estado", observa Matos, para quem a idéia é promover o empreendedorismo rural e impulsionar o agronegócio cearense. "O nível de tecnologia dos produtores ainda é baixo", afirma. O papel do estado é induzir o desenvolvimento nos diversos setores agrícolas", afirma. O evento acontece das 8h às 21h e terá roda e feira de negócios, exposições e workshops, mostra científica da floricultura cearense, visitas técnicas, exposições e seminários temáticos como o VI Agroflores, Aquaceará, Agrofrutas Planta Ceará, Pasto Verde e Horticultura.

Melão em destaque

"A Produção Integrada de Melão" tema da palestra de abertura, que acontece hoje, às 14h, será coordenada pela Embrapa Agroindústria Tropical, de Fortaleza (CE), unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada Mapa. O melão é uma das 14 espécies brasileiras que compõem o programa de Produção Integrada de Frutas (PIF), criado em 1998 pelo Mapa e coordenado por universidades, instituições estaduais de pesquisa e assistência técnica e centros da Embrapa. "A produção de frutas de alta qualidade prioriza princípios de sustentabilidade e rastreabilidade, aplicação de recursos naturais e regulação de mecanismos para substitui-ção de insumos poluentes, utilizando instrumentos adequados de monitoramento", informa o pesquisador José de Arimatéia Duarte de Freitas. A Embrapa Agroindústria Tropical, que iniciou a implantação da Produção Integrada de Melão em janeiro de 2002, coordena também do projeto de Produção Integrada de Caju.

Projetos de irrigação do Ceará atraem...

"Um dos objetivos do programa da Embrapa é otimizar o uso de adubos e diminuir o de agrotóxicos, para melhorar a qualidade final do produto, preservando o meio ambiente e a saúde do trabalhador rural e do consumidor", esclarece o técnico. No caso do melão, o programa já está permitindo uma redução de 20% no uso de inseticidas e acaricidas e de 10% no uso de fungicidas. A proposta tem a adesão de cerca de 30 produtores do Ceará e do Rio Grande do Norte, que respondem por algo em torno de 96 mil toneladas do fruto, em 3.560 hectares de área plantada. Ano passado, as exportações de melão no Ceará corresponderam a US$ 18,161 milhões, crescimento de 40,6% sobre o exercício anterior que somou US$ 12,914 milhões (Fob), de acordo com dados do Cin.

Os avanços tecnológicos na floricultura do Ceará, por sua vez, entram em pauta no seminário no VI Agroflores. O tema será abordado pelo chefe-adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Agroindústria Tropical, Ricardo Elesbão Alves, amanhã a partir das 14 horas. A empresa exibe também, em forma de pôsteres, 25 estudos desenvolvidos na área. Seis trabalhos serão apresentados na parte da manhã dos dias 24 e 25, entre eles, a técnica de clonagem de abacaxis ornamentais, que permite a formação de cultivos com grande estabilidade genética, originando plantas com crescimento homogêneo e livre de pragas e doenças.

Outra proposta inclui amostras de plantas com potencial ornamental coletadas em áreas que serão alagadas pelo açude Castanhão. Além disso, a empresa apresenta a coleção de 17 espécies, totalizando 38 cultivares de helicônias de várias regiões do País. A idéia é criar um banco de germoplasma, para utilização em pesquisa, no desenvolvimento de mudas e de matrizes.

GM, 23/03/2004, Rede Gazeta do Brasil, p. A1 e B13 e B16

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