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Presidente veta lei que reduziria áreas de proteção ambiental no país

Valor Econômico, Brasil, p. A6
20 de Jun de 2017

Presidente veta lei que reduziria áreas de proteção ambiental no país

Bruno Peres e Andrea Jubé

O presidente Michel Temer vetou ontem dispositivos de leis que reduziriam áreas de proteção ambiental na região amazônica, no Pará, e também em Santa Catarina. Essas regiões seriam transformadas em Áreas de Preservação Ambiental, onde os critérios de proteção são mais flexíveis. O objetivo é turbinar a agenda positiva em meio à crise política, já que a defesa do meio ambiente, em especial da Floresta Amazônica, consta da pauta da visita oficial à Noruega, onde ele desembarca no dia 23.
Ao vetar integralmente o texto de uma medida provisória, e dispositivos de uma segunda MP, Temer atendeu a recomendação do ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho.
A primeira MP alterou os limites da Floresta Nacional do Jamanxim, no Pará, criando uma Área de Proteção Ambiental (APA), reduzindo-a de 1,3 milhão de hectares para 561 mil hectares. Também reduziu o território do Parque Nacional de São Joaquim, mudando o nome para Parque Nacional da Serra Catarinense.
"As modificações propostas alteram substancialmente o regime de proteção das unidades de conservação, com potencial de comprometer e fragilizar a preservação ambiental em uma região sensível da Amazônia Brasileira e do Estado de Santa Catarina", diz a justificativa do veto.
A segunda medida provisória excluiu 862 hectares (um hectare tem área equivalente à de um campo de futebol) do Parque Nacional de Jamanxin, e da Área de Proteção Ambiental do Tapajós, ambas no Pará.
"A modificação proposta altera substancialmente o regime de proteção de área do Parque Nacional, alcançando mais de 100 mil hectares, e com potencial de comprometer e fragilizar a preservação ambiental em uma região sensível da Amazônia Brasileira", diz a justificativa do veto.
O objetivo da redução da área de proteção amazônica era abrir caminho para a "Ferrogrão", uma ferrovia que funcionaria como um corredor de exportação de grãos unindo Sinop, em Mato Grosso, a Miritituba, no Pará, para possibilitar o uso de portos da Bacia Amazônica.
Os vetos compõem a agenda com as autoridades norueguesas, até porque uma campanha internacional - com o envolvimento de celebridades, como Gisele Bündchen - reivindicou a ação. A Noruega desempenha papel de protagonismo na agenda ambiental brasileira. Somente no Fundo da Amazônia já aportou R$ 2,8 bilhões desde 2009. O fundo, gerido pelo BNDES, apoia, hoje, 89 projetos em áreas como combate ao desmatamento e gestão territorial e ambiental de terras indígenas.

Valor Econômico, 20/06/2017, Brasil, p. A6

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