O Globo (Rio de Janeiro - RJ)
14 de Jul de 2003
O presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Eduardo Almeida, afirmou nesta segunda-feira que há uma campanha de determinados setores que estão à margem da sociedade, ligados a parlamentares, com o objetivo de desestabilizar a sua gestão.
Isso explica, segundo ele, por que o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, poderia demiti-lo na tarde desta segunda, como noticia na edição de hoje o jornal "O Globo". De acordo com o jornal, o ministro não estaria satisfeito com a atuação de Almeida.
O presidente da Funai disse que ainda não foi informado sobre sua possível demissão e salientou que não acredita que isso ocorrerá.
- Há uma campanha de desestabilização da presidência da Funai. É um cargo muito difícil, mas muito visado. A Funai desagrada a setores ligados à exploração madeireira, ao tráfico de drogas, segmentos da garimpagem de diamante e de ouro. Esses esquemas são poderosos, envolvem membros do parlamento, políticos - declarou Almeida, em entrevista à Rádio CBN nesta manhã.
Ele afirmou também que está contrariando vários interesses no dia-a-dia de sua administração.
- A gente bate de frente com determinados setores na simples defesa dos direitos indígenas. Esses setores se vêem contrariados - afirmou ele, acrescentando que "alguns políticos também estão contrariados com a demarcação de terras indígenas".
No entanto, o presidente da Funai não acredita em sua demissão.
- Não imagino que eu venha a sair porque não acredito que o governo cederá a esses setores - disse Almeida, lembrando que "há série de notas plantadas nos jornais".
Ele disse que esteve no Ministério da Justiça e conversou com o chefe de gabinete, que teria negado a possibilidade de demiti-lo. Almeida, entretanto, ainda não conversou com o ministro, que estava em viagem no final de semana.
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