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Povos Xinguanos iniciam debates sobre educação escolar indígena

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09 de jun de 2009

Em nome das 12 lideranças presentes na solenidade de abertura da Conferência Regional de Educação do Xingu, o Presidente da Associação Indígena, Moygu, da Comunidade Ikpeng, Kumaré Txicão, declarou oficialmente abertos, na noite de domingo (07/06) os trabalhos de debate sobre a educação escolar indígena.

De 07 a 12 de junho, representantes das 15 etnias do Parque Indígena do Xingu (alto, médio, baixo e leste/Posto Indígena Wawí), com cada cultura e conhecimento tradicional diferentes uns dos outros, os professores indígenas e delegados eleitos nas conferências locais de educação, discutirão políticas públicas para a educação escolar indígena, como o direito à educação diferenciada, transporte, merenda, livros didáticos e pedagógicos.

Para discutir os temas, estão presentes representantes da Funai, Ministério da Educação (MEC), Comissão Nacional de Política Indigenista (CNPI), da Secretaria de Educação do Estado do Mato Grosso, organizações de professores indígenas do Mato Grosso, Universidade Federal do Mato Grosso e do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Estadual do Mato Grosso, Instituto Sócio Ambiental (ISA), Conselho Indigenista Missionário (CIMI) e secretarias municipais de educação.

"Nosso povo xinguano está com o espírito bem forte para discutir. Queremos expor as nossas necessidades de educação indígena. Hoje a educação no Xingu é muito voltada para os brancos, mas não é isso que queremos", afirmou a liderança, Vinti Kisedje, na mesa de abertura. Participam das atividades 133 delegados indígenas (41 Alto Xingu, 45 Médio e 47 Baixo), nove delegados de organizações não governamentais e 17 governamentais. Entre delegados, convidados, organizações e equipes técnicas institucionais e governamentais, estão no Posto Indígena Pavuru, 214 pessoas e, no total, contando familiares dos indígenas e convidados, são 400. Para a conferência nacional, que será realizada, na segunda quinzena de setembro em Brasília/DF, serão escolhidos 16 delegados indígenas do Parque Indígena do Xingu.

Ao cair da tarde, os participantes do evento, agraciados pela iluminação prateada da lua cheia, indígenas das etnias Kuikuro, Trumai, Kisedje, Yudjá e Ikpeng fizeram apresentações culturais com cantos e danças tradicionais.

Realidade escolar no Parque Indígena do Xingu

A educação escolar indígena chegou ao Xingu, no final da década de 1980 e no início de 1990 iniciaram as primeiras formações de professores indígenas. O coordenador pedagógico, do Médio Xingu é mestrando em Ciências Ambientais pela Universidade Estadual do Mato Grosso (Unemat). Korotowï Taffarel Ikpeng, diz que a expectativa da conferência regional e nacional, para os povos xinguanos, é que esse debate facilite o diálogo com as instituições. "Os costumes e as crenças são totalmente diferentes. Queremos que todos que estão aqui pensem como poderiam trabalhar com nossas diversidades", afirma o professor. "Temos muitos povos com calendário e organização diferenciados. Tem práticas de atividades culturais diferentes e a gente, indígena, respeita isso", conclui.

A respeito da escola diferenciada, Korotowï desabafa sobre a necessidade de implementar a educação escolar no Xingu: "Se a escola deve ser diferenciada, agora, na atualidade, não é. Não tem material pedagógico para trabalhar. Esse é um grande defeito das escolas indígenas que não tem material específico para o ensino de 1ª a 4ª séries, 5ª a 8ª e de 2o grau."

Com 2,8 milhões de hectares, o Parque Indígena do Xingu foi criado em 1961, e teve sua primeira escola no início da década de 1970, quando foi implementada a alfabetização não-indígena dentro do Posto Leonardo, no Alto Xingu. Atualmente existem, no Parque Indígena do Xingu, oito escolas estaduais e sete municipais, além de 33 salas anexas nas aldeias menores, que comportam entre 10 a 20 alunos.

A I CONEEI é uma conquista dos Povos Indígenas que há muito vinham lutando para discutir amplamente os rumos da Educação Escolar Indígena e propor diretrizes para o seu avanço. Participam da conferência os representantes indígenas de todo país e gestores públicos, com o objetivo principal de assegurar o direito a uma educação básica e superior intercultural que venha contribuir com os projetos societários dos povos indígenas.

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